Startup quer ser o 'Google dos leilões' e destravar procura e lances de imóveis com IA

Por André Lopes 11 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Startup quer ser o 'Google dos leilões' e destravar procura e lances de imóveis com IA

Quem já tentou comprar um imóvel em leilão conhece o roteiro: dezenas de sites abertos ao mesmo tempo, detalhes em páginas pouco amigáveis, linguagem jurídica travada e a sensação constante de que alguma informação importante pode ter ficado para trás. É nesse labirinto que a startup Deu Lance quer entrar, com a proposta de organizar um mercado que pode movimentar até R$ 250 bilhões no Brasil.

A empresa passou a integrar o portfólio da Aleve LegalTech Ventures, a única venture builder 100% dedicada a legaltechs no Brasil — segmento das startups que usam tecnologia para resolver gargalos do setor jurídico. O segmento de legaltechs vive um ciclo de expansão global: o mercado foi avaliado em US$ 29,6 bilhões em 2024 e deve atingir US$ 68 bilhões até 2034, segundo a Future Market Insights. Perto de comemorar um ano de existência, a plataforma reúne dados de mais de 200 leiloeiros, profissionais autorizados a conduzir vendas públicas de bens, e tenta simplificar um processo que, até aqui, segue pouco amigável para o investidor comum.

A aposta da companhia parte de um mercado ainda pulverizado, mas em expansão acelerada. Dados da Caixa Econômica Federal mostram que o número de imóveis em leilão saltou de cerca de 7.700, em 2022, para mais de 25.500 em 2024, crescimento de 228%. No consolidado do ano, o volume de leilões avançou 86% em relação a 2023, com 16 mil propriedades ofertadas segundo a plataforma Superbid Exchange. Segundo Guilherme Guimarães Vieira, fundador e CEO da Deu Lance, esse volume representaria só 12% do potencial estimado do setor, o que dá a dimensão do espaço que a empresa enxerga para crescer.

A leitura da startup é que o problema não está só na oferta, mas no acesso. Hoje, oportunidades estão espalhadas por centenas de páginas, muitas delas com informações difíceis de interpretar para quem não domina o vocabulário técnico do setor. Em paralelo, há um obstáculo adicional: a circulação de sites falsos, que aumentam a insegurança num mercado já cercado de cautela.

É nesse ponto que a Deu Lance tenta se posicionar. A plataforma monitora leilões 24 horas por dia e entrega ao usuário um feed filtrado por preferências como cidade, estado, faixa de preço e tipo de imóvel. A ideia é tornar mais legível um universo que, para boa parte do público, ainda parece feito para especialistas.

Startup aposta em leitura jurídica para organizar mercado travado

Além da busca por escala, a entrada no ecossistema da Aleve representa uma tentativa de dar mais musculatura à operação. A Aleve reúne 12 empresas avaliadas em mais de R$ 180 milhões e oferece estrutura em governança, compliance, conformidade com leis e normas, tecnologia, jurídico, captação de recursos e processos de fusões e aquisições (M&A). O portfólio já inclui soluções que utilizam IA, blockchain, automação e análise preditiva aplicadas ao Direito.

Segundo Vieira, o apoio da Aleve tem ajudado principalmente na estruturação do negócio e na montagem da equipe, etapa considerada decisiva para uma startup que ainda opera com quadro enxuto. A avaliação é que, para crescer num mercado sensível como o de leilões, não basta agregar anúncios: é preciso combinar triagem de dados, respaldo jurídico e capacidade de execução.

Para Priscila de Oliveira Spadinger, cofundadora e CEO da Aleve LegalTech Ventures, a Deu Lance atua num ponto crítico do setor imobiliário. Na avaliação dela, o segmento de leilões ainda carece de organização e pode ganhar eficiência ao conectar investidores e construtoras a oportunidades concretas por meio de tecnologia e inteligência jurídica.

O cadastro na plataforma é gratuito, e a empresa afirma acompanhar o usuário também depois da escolha do ativo, com análise jurídica completa e suporte durante o processo de compra. A ambição da startup é transformar um mercado técnico, espalhado e pouco transparente em uma experiência mais simples de entender — e, por isso mesmo, mais fácil de escalar.

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