Steven Spielberg critica o uso da IA no cinema: 'a alma humana importa'

Por Maria Luiza Pereira 30 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Steven Spielberg critica o uso da IA no cinema: 'a alma humana importa'

Steven Spielberg voltou a comentar o avanço da inteligência artificial em Hollywood e deixou claro que acredita existir um limite para o uso da tecnologia na criação artística.

Durante participação no podcast “IMO”, apresentado por Michelle Obama e Craig Robinson, o diretor e vencedor de três Oscars falou sobre como enxerga o papel da IA dentro da indústria audiovisual.

“Use a IA como ferramenta, mas não como a palavra final em nada criativo. É aí que eu traço a linha”, afirma Spielberg ao comentar o tema.

Spielberg defende criatividade humana no cinema

Segundo o cineasta, a inteligência artificial pode ser útil em processos técnicos e operacionais de uma produção, como pesquisas e localização de cenários.

No entanto, ele rejeita a ideia de utilizar ferramentas automatizadas para substituir roteiristas, diretores ou outros profissionais criativos.

“Há seis escritores, e há uma cadeira vazia, e há um computador em frente à cadeira vazia, e esse é o sétimo escritor. Não estou disposto a substituir, porque não acredito realmente em senciência. Não acredito que haja qualquer substituto para a alma. Não acho que seja um algoritmo que possa ser inventado", diz.

Spielberg também afirmou que não acredita que algoritmos consigam reproduzir o elemento humano presente em uma obra artística. Para ele, existe uma diferença entre apoiar o trabalho criativo e assumir o controle dele.

“Mas não me digam que não tenho o antagonista certo neste filme, não me digam como escrever os diálogos deste personagem, não me digam para onde a câmera deve ir”, afirma Spielberg. “E também, não me digam como os cenários devem ser, a menos que a inteligência artificial seja simplesmente uma ferramenta na vasta caixa de ferramentas do diretor de arte.”

As declarações de Spielberg acontecem em meio ao avanço das discussões sobre inteligência artificial em Hollywood.

Relatórios recentes da Deloitte apontam que grandes estúdios vêm ampliando testes com ferramentas generativas para reduzir custos operacionais e acelerar processos ligados a marketing, dublagem, planejamento e produção.

Ao mesmo tempo, roteiristas, atores e sindicatos seguem demonstrando preocupação com impactos sobre empregos, direitos autorais e substituição de profissionais criativos.

O diretor já havia abordado o assunto anteriormente durante sua participação no SXSW 2026.

Na ocasião, Spielberg declarou que nunca utilizou inteligência artificial em seus filmes e voltou a defender que a criatividade humana permaneça no centro das produções cinematográficas.

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