Sul é top 3 na captação de fintechs no Brasil, que soma US$ 2,77 bi

Por Rafael Martini 5 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Sul é top 3 na captação de fintechs no Brasil, que soma US$ 2,77 bi

O mercado brasileiro de fintechs movimentou US$ 2,77 bilhões em investimentos em 2025, distribuídos em 106 rodadas ao longo do ano. No recorte regional, o Sul ficou em terceiro lugar no país, com US$ 55,7 milhões captados em dez operações, atrás apenas do Sudeste e do Nordeste.

O resultado, no entanto, revela o forte desequilíbrio regional do setor. O Sudeste concentrou 88,2% dos investimentos, com US$ 2,44 bilhões, enquanto o Nordeste respondeu por 9,6%, com US$ 265 milhões. Ao Sul coube 2% do total nacional, ainda assim acima do Centro-Oeste e do Norte.

Os dados fazem parte do relatório Panorama Regional das Fintechs, produzido pela Sling Hub, plataforma de inteligência de dados sobre o ecossistema de startups da América Latina, em parceria com o Torq, hub de inovação e Corporate Venture Capital da Evertec.

O estudo mostra que o mercado brasileiro de fintechs entrou em uma nova fase em 2025. Embora o número de rodadas tenha caído mais de 50% em relação a 2021, o volume investido permaneceu elevado, indicando um ecossistema mais seletivo, sofisticado e concentrado em empresas com maior capacidade de escala.

A análise contempla rodadas realizadas ao longo de 2025, incluindo operações de equity, dívida e FIDCs, entre outras modalidades. Foram desconsiderados grants, IPOs e rodadas pós-IPO.

Segundo João Ventura, fundador e CEO da Sling Hub, compreender as dinâmicas regionais do ecossistema tornou-se cada vez mais importante para investidores, empresas e agentes do mercado financeiro.

“O ecossistema de fintechs segue entre os mais dinâmicos do ambiente de inovação brasileiro, mas os dados mostram uma mudança de perfil. O mercado está mais seletivo, concentrado e priorizando operações capazes de gerar escala sustentável. Entender como essas transformações acontecem em cada região do país passou a ser fundamental para identificar oportunidades estratégicas”, afirma Ventura.

Menos rodadas, mais escala

O Sudeste manteve a liderança absoluta do setor, com 88,2% do volume total investido em fintechs no Brasil. A região recebeu US$ 2,44 bilhões em 2025 e concentrou 85,9% das rodadas realizadas no país.

A região também abriga o maior número de empresas do setor, com 1.498 fintechs ativas, e foi palco das maiores operações do ano.

Entre os destaques estão duas captações da CloudWalk, que, somadas, ultrapassaram US$ 1,3 bilhão. Ambas foram estruturadas via FIDC, modelo que ganhou protagonismo no ecossistema e passou a ocupar papel central na estratégia de funding das fintechs brasileiras.

Segundo o levantamento, quatro das cinco maiores rodadas realizadas no Sudeste utilizaram estruturas de FIDC, movimento que sinaliza um novo estágio de maturidade financeira do setor.

Para Thiago Iglesias, gerente de inovação da Evertec e head do Torq, os dados indicam uma transformação estrutural na forma como investidores avaliam crescimento, risco e eficiência operacional.“O que os dados mostram não é uma retração do ecossistema, mas uma evolução na forma como o capital está sendo alocado. O mercado deixou de priorizar volume de rodadas e passou a concentrar recursos em empresas mais estruturadas, com maior capacidade de execução, eficiência e escala”, afirma Iglesias.

Segundo ele, o avanço dos FIDCs representa um marco importante dessa transformação.“O setor começa a adotar estruturas financeiras mais sofisticadas e sustentáveis, reduzindo a dependência exclusiva do equity tradicional e ampliando as possibilidades de funding para fintechs em estágios mais avançados”, completa.

Nordeste tem maior mediana

Além da liderança do Sudeste, o Nordeste chamou atenção pela relevância financeira das operações realizadas em 2025. Mesmo com apenas quatro rodadas registradas, a região captou aproximadamente US$ 265 milhões.

O desempenho levou o Nordeste à maior mediana de investimentos do país, com US$ 50,5 milhões por operação, acima das demais regiões brasileiras.O resultado reforça o avanço de operações mais robustas fora do eixo tradicional da inovação financeira e indica uma descentralização gradual do capital em direção a novos polos de crescimento.

Sul reúne 354 fintechs ativas

No Sul, o relatório identificou US$ 55,7 milhões investidos em 2025, distribuídos em dez rodadas. O volume representa 2% do total nacional, mas coloca a região na terceira posição do país tanto em investimento quanto em número de operações.

A região também reúne 354 fintechs ativas, indicador que reforça a relevância do ecossistema regional, ainda que o capital continue fortemente concentrado no Sudeste.

O Centro-Oeste registrou apenas uma operação, no valor de US$ 5,46 milhões. Já a região Norte não teve investimentos registrados no período analisado.Para Iglesias, o próximo ciclo do mercado brasileiro de fintechs será marcado menos pela expansão acelerada e mais pela busca por eficiência operacional, sustentabilidade financeira e escala consistente.

“Vemos um ecossistema que amadurece. O mercado passa a operar com uma lógica muito mais estratégica de alocação de capital, maior sofisticação financeira e foco em sustentabilidade de longo prazo. Para investidores e empresas, compreender essas dinâmicas regionais e estruturais deixa de ser apenas análise de contexto e passa a ser uma vantagem competitiva real”, conclui.

Fintechs são empresas que usam tecnologia para oferecer serviços financeiros de forma mais digital, ágil e acessível. Elas atuam em áreas como pagamentos, crédito, investimentos, seguros, gestão financeira e infraestrutura bancária, ampliando a competição com modelos tradicionais do setor financeiro.

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