Suno, startup de músicas de IA, atrai investidores do setor e mira valuation de US$ 5 bilhões

Por Maria Eduarda Cury 4 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Suno, startup de músicas de IA, atrai investidores do setor e mira valuation de US$ 5 bilhões

A indústria da música é mais uma que vem sido virada de cabeça para baixo com a ascensão da inteligência artificial. Desde etiquetas em aplicativos como Spotify para diferenciar conteúdo humano dos gerados por IA até empresas direcionadas exclusivamente para a criação de músicas com tecnologia, o mercado tem sido forçado a se adaptar à onda. E a startup Suno é uma das que representa a virada de chave: em poucos meses, a companhia se tornou uma das empresas de pequeno porte que mais cresce no mundo e atrai investimentos bilionários.

Conforme reportagem do Axios, a empresa está prestes a fechar uma rodada de investimentos do tipo Série D que pode avaliá-la em mais de US$ 5 bilhões. A rodada deve ser encerrada nas próximas semanas com valor acima dos US$ 250 milhões captados na rodada anterior. Investidores do setor musical, que apoiam silenciosamente a nova onda do mercado, fazem parte dos apoiadores da vez, apontou a Billboard.

O novo valuation seria mais que o dobro dos US$ 2,45 bilhões atribuídos à empresa apenas 6 meses atrás, quando a Menlo Ventures liderou a rodada Série C com participação do braço de venture capital da Nvidia. Os números justificam o apetite dos investidores. A Suno gerou US$ 150 milhões em receita em 2025 e US$ 25 milhões só em fevereiro.

Conforme dados oficiais, a plataforma já foi usada por mais de 100 milhões de pessoas, tem 2 milhões de assinantes pagantes e seus usuários criam mais de 7 milhões de músicas por dia. O volume a cada duas semanas equivale a todo o catálogo do Spotify. Em abril, o app ultrapassou o maior app de streaming de música como o mais baixado na categoria da App Store, loja virtual da Apple.

Mikey Shulman, 39 anos, descreveu a Suno como "o Ozempic da indústria musical" para a Forbes: todo mundo usa, mas poucos assumem abertamente. Para ele, a tecnologia representa uma reformulação em como o ouvinte engaja com uma das principais formas de entretenimento do mundo. Agora, a arte de ouvir é ampliada por um recurso que permite que bilhões de pessoas emulem resultados criativos sem precisar saber tocar um instrumento.

Empresas adotam estratégias para abraçar IA, mas com ressalvas

O crescimento, porém, não veio sem atrito. Todas as grandes gravadoras processaram a Suno alegando violação de direitos autorais no treinamento de seus modelos de IA. A Warner Music Group chegou a um acordo em novembro, firmando uma parceria para o desenvolvimento de modelos licenciados; na época, o CEO Robert Kyncl descreveu como uma "nova fonte de receita" para a gravadora. Sony e Universal ainda mantêm suas ações judiciais contra apps como Suno e Udio em andamento.

Apps de streaming também adotam medidas para diferenciar o tipo de conteúdo adicionado à cada plataforma. O Deezer, rival do Spotify, informou que mais de 60 mil músicas feitas por IA chegam todos os dias ao catálogo; isso fez com que a empresa criasse um mecanismo comercializável de identificação de canções geradas pela tecnologia para evitar confusões. O streaming Apple Music anunciou um processo similar a partir da inserção de etiquetas em metadados que identificam quais partes de uma música foram geradas por IA.

Quanto ao futuro, Shulman vê oportunidades além da geração de músicas. Ele imagina artistas como Taylor Swift lançando versões interativas de álbuns, com letras e samples que fãs poderiam acessar mediante pagamento adicional. "Vai ter IA em algum lugar" em toda música, disse ele à Forbes, antecipando que é apenas uma questão de tempo para que o mercado derrube as distinções entre músicas feitas por humanos e músicas geradas pela tecnologia.

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