SXSW 2026: São Paulo leva 35 empresas ao festival e mira novos recordes de negócios

Por Juliana Pio 20 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
SXSW 2026: São Paulo leva 35 empresas ao festival e mira novos recordes de negócios

AUSTIN — A participação do Governo do Estado de São Paulo no South by Southwest (SXSW), por meio da SP House, integra uma estratégia de internacionalização conduzida pela InvestSP, agência responsável por atrair investimentos e apoiar a expansão de empresas paulistas no exterior. No festival, a atuação vai além da presença institucional e se concentra na preparação de empresas, articulação com delegações internacionais e geração de negócios.

“A InvestSP é a agência de atração de investimentos e de internacionalização do Estado de São Paulo”, diz Júlia Saluh, diretora de Relações Internacionais da entidade. “A gente atua por meio do Creative SP, em parceria com a Secretaria da Cultura, participando de eventos internacionais que são estratégicos para a indústria criativa.”

Segundo ela, o SXSW é tratado como uma plataforma de negócios. “A gente vem pro SXSW pensando em como a gente vai gerar oportunidades para as nossas empresas”, diz.

A estratégia começou a ser estruturada em 2023, após uma participação inicial no festival em 2022, com um evento pontual. A partir dali, o governo passou a ampliar sua atuação em eventos internacionais com foco na economia criativa e na conexão com investidores e empresas estrangeiras.

O trabalho envolve a seleção, preparação e acompanhamento das empresas apoiadas. Em 2026, são 35 companhias participantes, distribuídas entre programas como o Creative SP, voltado à indústria criativa, e o SP Global Tech, focado em startups de base tecnológica. Também participam cinco empresas aceleradas pela Prefeitura de São Paulo.

“A gente tem empresas do setor de turismo, tem startups de base tecnológica, não tem um nicho específico”, afirma Salú. Antes do evento, as empresas passam por treinamento para atuação internacional.

“A gente prepara as empresas que vêm para cá para saberem fazer uma reunião, fazer o pitch, fazer o pedido delas em inglês, saberem como conversar num evento como esse”, diz.

Além da capacitação, a InvestSP realiza um mapeamento prévio de delegações estrangeiras e organiza encontros direcionados. “A gente faz um portfólio com todo mundo que está apoiando, apresenta para as delegações e já faz um matchmaking de quem está interessado em fazer negócio com as nossas empresas”, afirma.

Durante o SXSW, a agenda inclui rodadas de negócios, apresentações e reuniões com investidores. “Aumentamos os momentos que são feitos especialmente para a geração de negócios”, diz. “A casa só está aqui por conta disso.”

Os resultados são medidos tanto em contratos quanto em conexões estabelecidas. No primeiro ano do programa, as empresas apoiadas geraram cerca de R$ 100 milhões em negócios. No segundo, o valor chegou a R$ 172 milhões. Para 2026, a expectativa é de crescimento, acompanhando o aumento no número de participantes.

O programa também prevê apoio financeiro para viabilizar a participação. Cada empresa pode receber reembolso de até US$ 3 mil, equivalente a 50% das despesas. “A gente sabe que é um investimento caro, mas quer ajudar essas empresas a participarem mais”, afirma.

Segundo Salú, o principal ganho está no acesso a uma rede internacional concentrada em poucos dias. “Você está na rua, está nas palestras, conecta com alguém […] está comendo e conversa com um representante de um fundo de investimento”, diz. “Coisa que no Brasil demoraria muito para conseguir.”

Além dos negócios diretos, a estratégia também gera desdobramentos posteriores. Delegações internacionais que passam pelo evento seguem em contato com a agência ao longo do ano. “Fomos procurados o ano inteiro por delegações que passaram aqui. ‘Vou levar minha missão para São Paulo, preciso de conexões com empresas do meu setor’”, afirma.

Projetos também surgem a partir dessas conexões. Um exemplo citado é o “Clipe da Quebrada”, iniciativa criada após encontros no festival, envolvendo Secretaria da Cultura, Associação Paulista dos Amigos da Arte (APAA) e KondZilla, voltada à produção cultural em periferias.

As conexões também acontecem entre as próprias empresas brasileiras. “As empresas que a gente traz não fazem negócios só com delegações internacionais. Entre elas também sai negócio”, diz.

Para a InvestSP, a presença no SXSW também cumpre um papel de posicionamento internacional. “Tem um intangível muito grande em São Paulo estar posicionado no SXSW”, afirma Salú. “É uma questão de imagem, de soft power.”

A estratégia inclui ampliar essa atuação em outras frentes e eventos internacionais, além de iniciativas próprias no Brasil. “São Paulo é muito visto só com esse olhar de negócios. A gente quer mostrar outras dimensões”, diz.

Assista abaixo ao episódio completo do Marketing Trends, especial SXSW

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