Tabuletas de 4 mil anos revelam anotações sobre feitiços antigos e recibo de cerveja

Por Mateus Omena 17 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Tabuletas de 4 mil anos revelam anotações sobre feitiços antigos e recibo de cerveja

Há cerca de 5,2 mil anos, povos da Mesopotâmia, região correspondente ao atual Iraque, registraram as primeiras formas de escrita em tabuletas de argila, estabelecendo a base da chamada escrita cuneiforme. Parte desses artefatos ainda existe, embora muitos conteúdos permaneçam parcialmente indecifrados.

Pesquisadores da Universidade de Copenhague conduziram uma análise recente sobre esse material preservado no Museu Nacional da Dinamarca.

Os textos passaram por processos de digitalização, permitindo o acesso a novas informações sobre línguas antigas, sistemas legais, práticas religiosas e registros do cotidiano, como transações envolvendo cerveja.

O trabalho integra o projeto Tesouros Escondidos, voltado à catalogação, análise e digitalização de objetos com inscrições cuneiformes presentes no acervo dinamarquês. A iniciativa busca ampliar o acesso ao conteúdo tanto para especialistas quanto para o público geral.

A escrita cuneiforme figura entre os sistemas mais antigos já identificados, formada por sinais produzidos a partir da pressão de instrumentos em formato de cunha sobre argila úmida. Esse modelo foi utilizado para registrar diferentes idiomas, como sumério, acadiano e persa antigo.

“Atualmente, o Museu Nacional da Dinamarca abriga a maior coleção dinamarquesa de tabuletas cuneiformes. A coleção foi formada ao longo dos últimos 200 anos e ilustra o papel da Dinamarca na exploração do patrimônio cultural do Oriente Médio. As tabuletas cuneiformes do Museu Nacional da Dinamarca constituem uma coleção diversificada, com alguns textos datando de mais de 4.500 anos”, informa comunicado oficial da instituição.

Os registros identificados incluem documentos administrativos, correspondências, conteúdos religiosos, textos literários, práticas mágicas e conhecimentos médicos. Entre os exemplos estão tabuletas provenientes da cidade síria de Hama, com cerca de 3 mil anos, que descrevem tratamentos e rituais associados a um antigo templo.

"Uma das tabuletas de argila revelou conter um suposto ritual anti-bruxaria, que era de enorme importância para a autoridade real na Assíria, pois possuía a notável capacidade de afastar infortúnios – como a instabilidade política – que poderiam atingir um rei", afirma Pank Arbøll, pesquisador envolvido no projeto, em comunicado.

Referências bíblicas

Entre os achados está uma cópia de uma lista régia que reúne figuras históricas e míticas de civilizações antigas, incluindo o rei Gilgamesh. A figura é associada a narrativas anteriores a relatos bíblicos como o de Noé e o dilúvio.

Segundo Arbøll, a presença dessas informações reforça o valor do documento como uma das evidências materiais que indicam a possível existência histórica do personagem central da Epopeia de Gilgamesh.

Outros conteúdos identificados apresentam aspectos do cotidiano administrativo. Tabuletas encontradas em Tell Shemshara, no norte do Iraque, registram listas de mercadorias, contas e processos burocráticos.

"Muitas das tabuletas cuneiformes que temos hoje testemunham uma burocracia altamente desenvolvida. Portanto, não é surpreendente que uma das tabuletas da coleção do Museu Nacional contenha algo tão comum quanto um recibo muito antigo de cerveja", conclui o pesquisador.

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