Tarifas a outros países vão substituir imposto de renda dos EUA, diz Trump
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reafirmou, em seu discurso do Estado da União, que as tarifas cobradas de outros países seguirão sendo aplicadas mesmo após a Suprema Corte derrubar parte delas, e que o dinheiro arrecadado com as taxas poderá substituir a cobrança do imposto de renda.
"Eu acredito que as tarifas pagas por países estrangeiros vão, como no passado, substancialmente substituir o sistema atual de imposto de renda, tirando um grande peso financeiro do povo que eu amo", afirmou, na noite de terça-feira, 20, em seu principal discurso do ano.
Trump disse, ainda, que as tarifas serão reorganizadas por ordens presidenciais. "A ação do Congresso não será necessária", afirmou.
A Suprema Corte reafirmou, na sexta-feira, 20, que a criação de tarifas é prerrogativa do Congresso. Juízes da corte estavam na plateia e ouviram Trump dizer que a sentença foi "infeliz" e "totalmente errada".
Em uma fala de mais de uma hora, Trump destacou conquistas de seu primeiro ano no segundo mandato, fez ataques ao ex-presidente Joe Biden e aos democratas. Ele começou o discurso dizendo que os Estados Unidos vivem "uma era de ouro", após ter herdado um país repleto de problemas.
"Hoje, nossa fronteira está segura. Nosso espírito está renovado. A inflação está despencando. A renda está crescendo rapidamente. A economia está em plena expansão, como nunca antes, e nossos inimigos estão com medo. Nossas forças armadas e policiais estão robustas, e os Estados Unidos são respeitados novamente, talvez como nunca antes", afirmou, no começo do discurso.
Suas falas foram intercaladas com aplausos de apoiadores diversas vezes. Sobre imigração, ele disse que nenhum imigrante ilegal foi admitido nos EUA nos últimos meses. Em seguida, destacou números da economia, como os recordes batidos pelo mercado de ações dos EUA e compromissos de que até US$ 18 trilhões em investimentos estrangeiros poderão vir ao país.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante o discurso do Estado da União, no Congresso (Jessica Koscielniak/AFP)
Venezuela é "novo amigo"
Em seguida, Trump destacou o avanço da exploração de petróleo e citou a Venezuela. "A produção americana de petróleo está acima de 600 mil barris por dia, e acabamos de receber de nosso novo amigo e parceiro, a Venezuela, mais de 80 milhões de barris de petróleo", afirmou.
Em janeiro, militares americanos invadiram a Venezuela e prenderam o então presidente Nicolás Maduro. Depois disso, o governo do país concordou que os EUA assumissem o controle da exportação do petróleo do país.
Uma parte do discurso foi dedicada aos esportes. Trump destacou que o país receberá a Copa do Mundo de 2026 e as Olimpíadas de 2028, em Los Angeles. Ele também convidou ao Congresso a seleção dos EUA de hóquei no gelo, que venceu as Olimpíadas de inverno. A equipe foi aplaudida por quase toda a plateia, incluindo os democratas, que não aplaudiram as frases de Trump.
A fala teve, ainda, destaque para medidas para baixar o custo de medicamentos e de planos de saúde e para a redução de impostos, como a retirada de taxas federais sobre gorjetas.
Trump enfrenta desafios na economia
O discurso de Trump vem após um primeiro ano de mandato marcado por conquistas militares, mas com desafios na economia e na sua taxa de aprovação.
Em 2025, Trump bombardeou o Irã e conseguiu mediar um acordo entre Israel e Hamas que pôs fim a um conflito na Faixa de Gaza. Além disso, Nicolás Maduro foi preso na Venezuela em janeiro deste ano.
Dentro do país, no entanto, o crescimento econômico em 2025, de 2,2%, foi menor do que o do ano anterior; a inflação permanece alta (2,9% em dezembro, na comparação anual), embora o emprego apresente um bom ritmo.
Pesquisas mostram que sua aprovação está em um dos pontos mais baixos desde que ele assumiu o segundo mandato. Sua aprovação é de 41%, e 56% o desaprovam, segundo o agregador do jornal The New York Times.
O que é o discurso do Estado da União?
Uma vez por ano, o presidente dos Estados Unidos faz um discurso no Congresso, que o recebe em uma sessão conjunta entre Câmara e Senado. Este evento é chamado de Discurso do Estado da União. Em sua fala, o presidente costuma detalhar suas conquistas recentes, anunciar planos para o ano seguinte e fazer um balanço do governo.
Além dos parlamentares, a sessão tem a presença dos juízes da Suprema Corte, de autoridades militares e de outros convidados.
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