'Tecnologia sem governança gera ruído', afirma Roberto Di Biase, ex-diretor operacional da Vale
Ao longo de mais de 35 anos de carreira, Roberto Di Biase consolidou uma trajetória robusta em operações industriais, logística e engenharia, liderando projetos complexos de infraestrutura e eficiência operacional. Sua bagagem executiva reúne passagens de destaque pela Maxion, pelo Sepetiba Tecon e, fundamentalmente, pela Vale, onde atuou por mais de duas décadas em posições estratégicas de alta liderança.
Uma carreira construída em grandes operações
A experiência de Di Biase em gestão começou a se desenhar na implantação do Sepetiba Tecon, no Rio de Janeiro. Além de participar ativamente da construção do terminal de contêineres, ele estruturou o início das operações e assumiu, posteriormente, a gerência geral do ativo, desenvolvendo sólida expertise em planejamento operacional, produtividade e coordenação de equipes de alta performance.
Na Vale, o executivo expandiu significativamente seu escopo em múltiplos elos da cadeia mineral, abrangendo mineração, logística ferroviária, metalurgia e gestão portuária. Entre os principais marcos de sua trajetória está a direção dos portos da companhia no Brasil, ciclo que culminou na liderança operacional do Terminal Marítimo de Ponta da Madeira, no Maranhão — um dos maiores complexos portuários do mundo.
Durante esse período, capitaneou a expansão da capacidade do ativo, acompanhando o salto na movimentação anual de minério de ferro de 110 milhões para expressivas 230 milhões de toneladas.
Escopo global e gestão de riscos complexos
O ecossistema internacional também fez parte da rotina de Di Biase. Ele integrou os comitês de implantação do porto da Vale na Malásia e da operação integrada de ferrovia e porto em Moçambique, liderando equipes multiculturais desde as fases de engenharia e obras até o startup definitivo das atividades dessas unidades ultramarinas.
Paralelamente à busca por eficiência e volume, o executivo assumiu cadeiras de alta responsabilidade corporativa nas áreas de saúde, segurança, meio ambiente, riscos e resposta a emergências. Nessa frente, contribuiu diretamente para a revisão profunda de processos e o fortalecimento de uma cultura voltada à mitigação de riscos operacionais.
Na reta final de seu ciclo na mineradora, comandou a engenharia das plantas de pelotização, direcionando as diretrizes técnicas para a agenda de descarbonização — um dos temas mais críticos para a longevidade da indústria pesada.
A inteligência artificial como nova competência da liderança
Sempre conectado às tendências, Roberto Di Biase identificou, ainda no exercício do cargo, que a próxima fronteira da eficiência operacional estava na capacidade analítica de dados.
"Setores como mineração, logística e manufatura são verdadeiras usinas de dados. O grande diferencial competitivo da liderança moderna é saber transformar esse volume de informações em decisões preditivas e precisas"Roberto di Biase, avalia o executivo.
Para ele, ferramentas baseadas em Inteligência Artificial (IA) são aliadas indispensáveis para a manutenção preditiva, análise de falhas e planejamento estratégico, contanto que a tecnologia esteja rigorosamente ancorada em um desafio real do negócio e sob uma governança estruturada.
Foi com essa visão madura que ele decidiu buscar uma formação executiva robusta, integrando essa nova camada de conhecimento à sua bagagem prática antes de encerrar seu ciclo corporativo na Vale.
Formação de alto impacto para os desafios da IA
Com o objetivo de traduzir o potencial técnico da tecnologia para o contexto de negócios, Di Biase ingressou no PIACC (Programa de Inteligência Artificial para C-Levels, CEOs, Conselheiros e Acionistas), que integra os High Impact Programs (HIP) da Saint Paul Escola de Negócios.
A formação é desenhada especificamente para líderes que precisam compreender o impacto da IA na estratégia, na governança e na competitividade, sem a necessidade de focar em codificação ou desenvolvimento técnico.
O programa capacita o tomador de decisão a avaliar riscos éticos, identificar oportunidades de mercado e liderar equipes multidisciplinares orientadas a dados. Para um executivo acostumado à complexidade industrial, o curso conectou a prática do chão de fábrica ao ecossistema da transformação digital.
O papel da tecnologia na agenda do conselho
A trajetória de Roberto Di Biase evidencia que o aprendizado contínuo (lifelong learning) deve acompanhar o ritmo das disrupções de mercado. Em um cenário onde a IA passa a ditar a eficiência dos negócios, dominar essas ferramentas deixa de ser uma exclusividade do departamento de TI e assume papel central na pauta estratégica da diretoria e dos conselhos de administração.
Compreender a relação entre dados, processos e governança é, hoje, premissa básica para garantir perenidade e vantagem competitiva real às organizações.
Quer compreender como a inteligência artificial pode apoiar decisões estratégicas na alta liderança? O PIACC, integrante dos High Impact Programs (HIP) da Saint Paul, foi desenvolvido sob medida para C-Levels, CEOs, conselheiros e acionistas que desejam liderar a transformação tecnológica com foco em estratégia, governança e competitividade de mercado.
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