Tenda lucra meio milhão em 2025 e revê área de casas industrializadas

Por Letícia Furlan 6 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Tenda lucra meio milhão em 2025 e revê área de casas industrializadas

A Tenda (TEND3) encerrou 2025 com resultados recordes, impulsionados pelo avanço das vendas e pela expansão dos lançamentos. No acumulado do ano, a incorporadora registrou receita líquida consolidada de R$ 4,17 bilhões.

O lucro líquido consolidado atingiu R$ 505,7 milhões, alta de 375,2% em relação a 2024 e o maior resultado anual da história da companhia. Desconsiderando efeitos de operações de swap, o lucro foi de R$ 370,6 milhões. Já o Ebitda ajustado da operação Tenda somou R$ 818,1 milhões no período.

No lado comercial, as vendas líquidas consolidadas alcançaram R$ 4,74 bilhões. Apenas no segmento Tenda, as vendas chegaram a R$ 4,2 bilhões, dentro do guidance divulgado para o ano. Os lançamentos totalizaram R$ 5,36 bilhões em valor geral de vendas (VGV), enquanto a geração de caixa operacional ficou positiva em R$ 89,6 milhões.

A companhia também ampliou sua base de projetos. O banco de terrenos encerrou o ano com VGV potencial de R$ 28,6 bilhões, novo recorde. Segundo a empresa, a marca Tenda cumpriu todas as metas previstas no guidance de 2025, com margem bruta ajustada de 36,2%, na faixa projetada de 36% a 37%.

"Fechamos o ano de forma muito positiva, estamos iniciando 2026 de forma muito positiva. As vendas dos primeiros dois meses de 2026 superaram a marca de R$ 1 bilhão, que foi um recorde. Elas crescem 27% em relação ao mesmo período de 2025", afirma Luiz Mauricio de Garcia Paula, CFO da Tenda.

Já o segmento Alea, voltado a casas industrializadas, teve desempenho abaixo do esperado. A operação passou por um processo que a administração descreve como “correção de rota”, após a expansão ocorrer antes do momento considerado ideal.

"Foi uma frustração, pois no final de 2024 nossa expectativa era que 2025 já seria o break-even, mas acabamos jogando essa meta para 2027. A grande causa disso foi termos começado a Alea de forma espalhada geograficamente para testar diferentes mercados, o que impediu o uso da verticalização da mão de obra nos canteiros desde o início — algo que se mostrou muito mais difícil e caro do que o previsto", explica Garcia Paula.

A verticalização se tornou um dos principais pontos de revisão na operação da Alea. No modelo da empresa, o termo se refere ao uso de mão de obra própria e especializada para executar as obras, em vez da contratação de prestadores de serviços externos. Na fábrica, esse processo já é naturalmente verticalizado, com a própria companhia controlando todas as etapas da produção das casas em ambiente industrial.

O problema apareceu nos canteiros de obras. Para testar diferentes mercados, a empresa optou inicialmente por contratar empreiteiros externos, que não tinham experiência com o modelo industrial da companhia. Com isso, a produtividade ficou abaixo do esperado e os custos de construção acabaram entre 25% e 30% acima do previsto. A referência interna é o modelo da Tenda, que utiliza equipes próprias e especializadas para cada etapa da obra, garantindo maior eficiência e controle de custos.

No ano, as vendas líquidas da Alea somaram R$ 499,4 milhões, abaixo do piso de R$ 700 milhões previsto no guidance. A margem bruta ajustada foi negativa em 5,1%, ante a meta mínima de 6%. O segmento também registrou prejuízo líquido de R$ 50,2 milhões no quarto trimestre e consumo de caixa operacional de R$ 148,4 milhões no acumulado do ano.

Parte desse resultado está ligada ao reconhecimento de R$ 99 milhões em desvios de custos para concluir obras antigas. Para ajustar a operação, a empresa reduziu o número de cidades de atuação e a escala de produção, encerrando o ano com 25 canteiros ativos — 10 da marca Alea e 15 da Casapatio.

A companhia também aumentou a verticalização da operação, reforçando o controle sobre engenharia, suprimentos e produção. Em janeiro de 2026, os diretores da Alea passaram a se reportar diretamente ao CEO da Tenda, Rodrigo Osmo. "Agora, o nosso grande foco para 2026 é finalmente estabilizar essa operação, sendo que a redução na queima de caixa já observada no quarto trimestre reflete que estamos, de fato, melhorando esse cenário".

Mesmo com os ajustes, o banco de terrenos da Alea encerrou o ano com VGV potencial de R$ 6,1 bilhões, equivalente a 21,3% do total da companhia. Cerca de 98% das aquisições foram realizadas por meio de permutas. A operação também avançou em certificações ambientais: o empreendimento Alea Penápolis recebeu o Selo Casa Azul + Caixa.

Para 2026, a prioridade da companhia é estabilizar a operação. A expectativa é reduzir a volatilidade do negócio, com consumo de caixa estimado entre R$ 60 milhões e R$ 80 milhões no ano.

Quarto trimestre

No quarto trimestre, a Tenda registrou receita líquida consolidada de R$ 1,18 bilhão, alta de 38,9% na comparação com o mesmo período de 2024 — o maior faturamento trimestral da história da companhia.

O lucro bruto ajustado somou R$ 374,5 milhões, com margem de 31,7%. Já o lucro líquido consolidado atingiu R$ 104,6 milhões no período, com margem líquida de 8,9%.

No principal segmento da companhia, o Ebitda ajustado da operação Tenda alcançou R$ 235,4 milhões, crescimento de 59,6% na comparação anual. A geração de caixa operacional consolidada foi positiva em R$ 56,6 milhões, enquanto a alavancagem permaneceu negativa, com relação dívida líquida corporativa sobre patrimônio líquido de -4,6%.

Os lançamentos no trimestre totalizaram R$ 1,78 bilhão em VGV, alta de 13,6% em relação ao terceiro trimestre. As vendas líquidas atingiram R$ 1,23 bilhão.

Na Alea, o período também foi marcado por ajustes operacionais. A empresa lançou um empreendimento com VGV de R$ 69,4 milhões e preço médio de R$ 199,4 mil por unidade.

As vendas líquidas somaram R$ 120,9 milhões, mais que dobrando na comparação anual, com VSO líquida de 38%. O VGV repassado totalizou R$ 129,8 milhões, com 687 unidades transferidas aos compradores. A operação encerrou o trimestre com 25 canteiros ativos, sendo 10 da Alea e 15 da Casapatio.

Do lado financeiro, a receita líquida foi de R$ 81,5 milhões, alta de 37,8% na base anual. Ainda assim, o lucro bruto ajustado ficou negativo em R$ 24 milhões, com margem de -29,4%. O Ebitda ajustado foi de -R$ 56,1 milhões e o segmento registrou prejuízo líquido de R$ 50,2 milhões no trimestre.

O consumo de caixa operacional foi de R$ 19,6 milhões no período, ou R$ 16,8 milhões considerando apenas a participação da Tenda. O giro de estoque acelerou para 4,7 meses, ante 16,4 meses no quarto trimestre de 2024. Já o projeto Casapatio Canoas, no Rio Grande do Sul, com cerca de 1.500 unidades e VGV estimado em R$ 300 milhões, teve o lançamento adiado para o primeiro semestre de 2026 devido à necessidade de licenças.

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