Terapia com testosterona: quem realmente precisa e quais são os riscos?

Por Vanessa Loiola 10 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Terapia com testosterona: quem realmente precisa e quais são os riscos?

A terapia com testosterona voltou ao centro do debate médico e científico, impulsionada por propostas de ampliar seu uso para além dos casos clássicos de deficiência hormonal. Embora já seja indicada para pessoas com níveis comprovadamente baixos por causas médicas, especialistas divergem sobre quem realmente precisa do tratamento e quais são seus riscos.

A discussão ganhou força após um painel da Food and Drug Administration (FDA) defender mudanças que poderiam ampliar o acesso ao hormônio, classificado por alguns participantes como um possível “pilar da saúde preventiva”. A análise foi publicada na revista Nature.

Quando a reposição de testosterona é indicada

Atualmente, o tratamento é recomendado principalmente para casos de hipogonadismo, condição em que o organismo produz níveis insuficientes do hormônio por causas médicas específicas. Fora desse cenário, o uso é mais controverso. Parte dos médicos defende que homens com sintomas como baixa libido, fadiga e irritabilidade podem se beneficiar da terapia.

Outros especialistas avaliam que mudanças no estilo de vida — como perda de peso, melhora do sono e prática de atividade física — podem ser suficientes para restaurar os níveis hormonais.

Quais são os benefícios da testosterona?

As evidências científicas mostram que o principal efeito da reposição hormonal está ligado à função sexual. Um estudo da TRAVERSE, citado no artigo, que acompanhou cerca de 5.200 homens com baixa testosterona e alto risco cardiovascular, mostrou que a atividade sexual aumentou 25% mais nos homens tratados com o hormônio em comparação ao placebo. O desejo sexual também melhorou, mas a função erétil não apresentou diferença significativa.

Uma revisão encomendada pela Sociedade de Endocrinologia concluiu que a testosterona está ligada a uma melhora pequena, mas notável, na função sexual, na satisfação e no desejo entre homens com níveis reduzidos do hormônio. O mesmo levantamento não identificou mudanças expressivas em energia, humor ou capacidade de raciocínio.

Outras pesquisas indicam que o tratamento pode ajudar na densidade dos ossos e no combate à anemia.

Quais são os riscos?

O uso inadequado ou em doses elevadas pode trazer riscos importantes à saúde. Entre os efeitos associados estão:

Estudos indicam que a reposição dentro de níveis fisiológicos não aumenta significativamente o risco de eventos cardíacos graves. Ainda assim, especialistas alertam que doses acima do recomendado apresentam riscos mais elevados.

Uso em mulheres e outros grupos

Entre as mulheres, a principal indicação com evidência científica é o tratamento do baixo desejo sexual após a menopausa. Mesmo nesses casos, os benefícios são considerados modestos e devem ser avaliados individualmente.

Doses elevadas podem causar efeitos colaterais como acne, aumento de pelos, alterações na voz e mudanças no humor.

Com isso, mesmo diante dos avanço nas pesquisas, ainda não há consenso sobre o uso ampliado da testosterona como estratégia preventiva. Estudos mostram que homens mais velhos com baixa testosterona apresentam maior risco de AVC, demência e doença de Alzheimer. No entanto, não está comprovado que a reposição reduza esses riscos em pessoas sem sintomas.

A principal lacuna científica é entender se tratar indivíduos assintomáticos traria benefícios reais à saúde a longo prazo — questão que ainda depende de estudos mais amplos.

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