Terra está cercada por milhares de toneladas de lixo espacial, diz relatório
Quase metade dos objetos conhecidos que orbitam a Terra já é considerada lixo espacial, segundo um levantamento divulgado pela empresa de engenharia Accu. O relatório alerta que fragmentos de foguetes, satélites inativos e outros detritos continuam se acumulando na órbita terrestre em ritmo mais rápido do que conseguem ser removidos.
Os dados foram compilados a partir de informações da Rede de Vigilância Espacial dos Estados Unidos e do banco Space-Track, e divulgados pela Popular Sciene na última terça-feira.
Segundo a análise, pelo menos 12.550 detritos orbitais circulam atualmente o planeta sem controle ou função operacional. O número representa 47% dos 33.269 objetos monitorados no espaço, incluindo aproximadamente 17.690 satélites.
Objetos viajam a velocidades extremas
Segundo o levantamento, a quantidade real de lixo espacial pode ser ainda maior. Isso ocorre porque parte dos satélites em órbita já não funciona mais. Além deles, cerca de 2.400 corpos de foguetes descartados continuam circulando ao redor da Terra.
Os especialistas alertam que até fragmentos extremamente pequenos podem representar riscos graves devido à velocidade em que se deslocam no espaço, próxima de 28 mil quilômetros por hora.
Em 2016, partículas microscópicas atingiram uma das janelas da Estação Espacial Internacional e deixaram uma cratera de aproximadamente 6 milímetros.
Segundo a Accu, atualmente existem cerca de sete fragmentos de lixo espacial para cada dez satélites ativos em órbita.
O levantamento também estima que o lixo espacial acumulado em órbita terrestre já chegue a aproximadamente 15.550 toneladas, peso equivalente a cerca de 40 aviões jumbo.
China, EUA e Rússia lideram acúmulo de lixo espacial
O relatório aponta que três regiões concentram a maior parte dos detritos orbitais monitorados. Segundo os dados, a China seria responsável por aproximadamente 34% do lixo espacial identificado. Os Estados Unidos e a Comunidade dos Estados Independentes (CEI), bloco alinhado à Rússia, aparecem logo atrás com cerca de 31% cada.
Os pesquisadores alertam que o crescimento contínuo desses resíduos aumenta os riscos de colisões em órbita e pode comprometer futuras missões espaciais.
Problema vai além da órbita terrestre
Grande parte dos objetos abandonados acaba entrando em rota de reentrada devido à gravidade da Terra. Mesmo assim, o processo pode levar anos ou até décadas.
Além disso, cientistas afirmam que a destruição dos materiais durante a reentrada atmosférica não elimina totalmente os impactos ambientais. Segundo o relatório, partículas de alumínio, cobre e lítio podem permanecer na alta atmosfera após a desintegração dos objetos.
Pesquisadores afirmam que ainda são necessários mais estudos para compreender os efeitos desses resíduos, mas já existem indícios de impactos sobre a camada de ozônio.
A Agência Espacial Europeia (ESA) lidera uma das principais iniciativas atuais com a missão ClearSpace-1, criada para capturar detritos em órbita. Empresas privadas também pesquisam soluções como braços robóticos, velas de arrasto e arpões espaciais para recolher objetos abandonados.
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