Terras Raras: Câmara aprova texto-base da política nacional de minerais críticos

Por Ivan Martínez-Vargas 7 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Terras Raras: Câmara aprova texto-base da política nacional de minerais críticos

A Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira, 6, o texto-base do projeto que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE). A proposta prevê a criação de crédito tributário de R$ 5 bilhões para estimular o processamento de minérios no país.

O texto também autoriza a União a estruturar um fundo garantidor com participação direta como cotista. O limite de aporte público foi fixado em R$ 2 bilhões, com estrutura de natureza privada.

Como foi a tramitação?

A proposta, relatada pelo deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), avançou no plenário da Câmara dos Deputados por meio de votação simbólica. Agora, o texto do projeto segue para o Senado. Se for aprovado, ainda precisará ser sancionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A sessão contou com participação reduzida de parlamentares. Isso ocorreu após o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), autorizar o formato virtual devido aos compromissos relacionados ao calendário eleitoral. A liberação do acesso remoto resultou em menor presença física durante a votação.

O conteúdo aprovado amplia a atuação do Poder Executivo na regulamentação do setor mineral. A proposta estabelece diretrizes voltadas à soberania nacional, ao estímulo do refino de minérios no país e ao apoio à transição energética.

O texto também aborda o contexto internacional envolvendo esses recursos. Minerais críticos e terras raras integram cadeias estratégicas e estão inseridos em disputas geopolíticas entre China e Estados Unidos.

A relevância desses insumos está associada ao uso em tecnologias e à dependência de cadeias globais de produção, o que amplia o interesse de governos na formulação de políticas públicas para o setor.

A aprovação da proposta ocorreu na véspera de um encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O tema está previsto na agenda da reunião marcada para esta quinta-feira, 7, em Washington.

O Brasil possui posição relevante no cenário global de minerais estratégicos. O país concentra a maior reserva mundial de nióbio e ocupa a segunda posição em grafita e terras raras, com volume estimado em 21 milhões de toneladas. Também aparece como o terceiro maior detentor de reservas de níquel.

“É um assunto de interesse mundial, é um assunto que está para o futuro, como o petróleo esteve para o desenvolvimento de diversos países importantes. Não tem tecnologia sem a exploração das terras raras e dos minerais críticos”, declarou o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

O que são terras raras?

O conjunto conhecido como terras raras reúne 17 elementos químicos específicos. Entre eles estão cério, disprósio, érbio, escândio, európio, gadolínio, hólmio, itérbio, ítrio, lantânio, lutécio, neodímio, praseodímio, promécio, samário, térbio e túlio.

Esses minerais têm aplicação em diferentes segmentos industriais. São empregados na produção de componentes elétricos, como os utilizados em celulares, telas de televisão e ímãs permanentes usados em turbinas eólicas.

No território brasileiro, esses recursos estão distribuídos em várias regiões. De acordo com o Serviço Geológico do Brasil, há presença desses minerais na Bahia, Goiás e Minas Gerais, além de ocorrências no Amazonas, Rio de Janeiro, Roraima e São Paulo.

Os registros dessas ocorrências fazem parte de levantamentos e projetos de mapeamento mineral conduzidos no país, com foco na identificação de áreas com potencial de exploração.

*Com informações da Agência Câmara.

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