Terremoto raso ou profundo: por que isso importa mais que a magnitude

Por Vanessa Loiola 26 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Terremoto raso ou profundo: por que isso importa mais que a magnitude

Os terremotos costumam ser descritos pela magnitude, mas esse não é o único fator que determina seu potencial de destruição. A profundidade em que o abalo sísmico se inicia também exerce papel fundamental na intensidade dos tremores sentidos na superfície. Em muitos casos, um terremoto raso de menor magnitude pode causar danos maiores do que um terremoto profundo mais intenso.

Segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), os terremotos podem ocorrer desde poucos quilômetros abaixo da superfície até cerca de 700 quilômetros de profundidade, dependendo do contexto geológico. A distância entre o foco do terremoto e a superfície influencia diretamente a força com que as ondas sísmicas chegam às cidades e às áreas habitadas.

O que é a profundidade de um terremoto?

Todo terremoto começa em um ponto no interior da Terra chamado hipocentro ou foco sísmico. O ponto localizado exatamente acima dele, na superfície, é conhecido como epicentro. Dessa forma, a profundidade corresponde justamente à distância entre o hipocentro e a superfície terrestre.

Já os terremotos profundos percorrem centenas de quilômetros antes de alcançar a superfície. Nesse trajeto, parte da energia se dissipa, reduzindo a intensidade do tremor em muitas regiões.

Por que terremotos rasos costumam causar mais destruição?

De acordo com o USGS, a intensidade do tremor diminui à medida que aumenta a distância entre o foco do terremoto e a superfície. Isso significa que dois terremotos com a mesma magnitude podem produzir impactos completamente diferentes.

Um terremoto de magnitude 7,0 com foco a cerca de 20 quilômetros de profundidade tende a provocar tremores muito mais fortes na superfície do que outro de mesma magnitude ocorrido a 500 quilômetros de profundidade.

Isso não significa que terremotos profundos sejam inofensivos. Como suas ondas sísmicas percorrem grandes distâncias, eles podem ser sentidos em áreas muito extensas, embora geralmente provoquem menos danos localizados.

Onde ocorrem os terremotos mais profundos?

Os terremotos mais profundos do planeta estão associados às chamadas zonas de subducção, regiões onde duas placas tectônicas colidem e uma delas mergulha sob a outra em direção ao manto terrestre.

Segundo o USGS, enquanto os grandes terremotos que ocorrem próximos ao contato entre as placas costumam acontecer a até cerca de 60 quilômetros de profundidade, outros eventos podem atingir aproximadamente 700 quilômetros.

Esses terremotos profundos ocorrem porque a placa oceânica que afunda permanece relativamente fria e rígida durante parte de sua descida pelo manto, permitindo que ocorram rupturas mesmo em grandes profundidades.

Esse tipo de atividade sísmica é comum em regiões como Japão, Tonga, Kamchatka e outras áreas do chamado Círculo de Fogo do Pacífico, onde se concentra a maior parte dos grandes terremotos do planeta.

O que a profundidade revela sobre o interior da Terra?

Além de ajudar a estimar os possíveis impactos de um terremoto, a profundidade fornece informações importantes sobre a estrutura interna do planeta.

Ao analisar milhares de terremotos registrados em diferentes profundidades, os geólogos conseguem mapear o formato das placas tectônicas que estão afundando no manto, identificar sua inclinação e compreender melhor como ocorre a deformação da crosta terrestre.

Esses dados ajudam a explicar o funcionamento das zonas de subducção e contribuem para aperfeiçoar os modelos utilizados para avaliar o risco sísmico em diferentes regiões do mundo.

Como os cientistas determinam a profundidade de um terremoto?

Determinar a profundidade de um terremoto é uma tarefa mais complexa do que localizar seu epicentro.

Segundo o USGS, esse cálculo depende da análise das ondas sísmicas registradas por diversas estações sismográficas. Quando existe uma estação próxima ao epicentro, a estimativa costuma ser mais precisa. Em áreas com poucas estações de monitoramento, a margem de erro tende a ser maior.

Mesmo assim, conhecer a profundidade do foco sísmico é uma das informações mais importantes obtidas após um terremoto, pois ajuda os cientistas a avaliar o potencial de danos, compreender a dinâmica das placas tectônicas e aperfeiçoar o monitoramento da atividade sísmica em todo o planeta.

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