'The Pitt': os casos médicos reais mostrados na série da HBO Max
Uma paciente na primeira temporada de The Pitt que chega à emergência com insônia severa, tremores nas mãos, pés dormentes e um surto psicótico agudo.
Os médicos iniciam o que chamam internamente de "bateria completa de exames": tomografia, toxicologia, painel laboratorial completo. Tudo volta ao normal. A equipe já está prestes a transferi-la para a psiquiatria quando uma residente recusa — e começa a perguntar sobre a rotina de beleza da paciente.
Era intoxicação por mercúrio. E o que causou? Um creme clareador importado que ela usava diariamente e promovia nas redes sociais.
Em muitos mercados não regulamentados, sais inorgânicos de mercúrio são utilizados como ingredientes ativos em cosméticos importados porque inibem a formação de melanina, segundo análise clínica do portal Sherringford, especializado em medicina.
A Dra. Mohan, na série, concluiu que a paciente havia se intoxicado de forma crônica através da absorção tópica — sem saber disso. O que médicos da vida real elogiaram é justamente esse detalhe, já que, na prática clínica real, um exame padrão de toxicologia retorna negativo em casos de envenenamento por metais pesados, e só um painel específico de metais consegue confirmar o diagnóstico, segundo análise do portal Sherringford.
Veja o que mais é verdade em The Pitt:
O coração que parou duas quadras antes de chegar
Na segunda temporada, um homem chega à emergência com uma facada no peito.
Dois quarteirões antes de entrar no hospital, o coração parou. A equipe abre o lado esquerdo do tórax para avaliar o dano e, com visibilidade ruim, converte para uma toracotomia em concha, ao cortarem o esterno e abrirem completamente a cavidade torácica, segundo descrição do Screen Rant.
Fazem desfibrilação interna para restaurar o ritmo cardíaco e múltiplas transfusões de sangue. O paciente sobrevive.
Essa cena específica é uma das razões pelas quais emergencistas assistem à série com atenção clínica. O Dr. Brent Rau, diretor médico do Allegheny General Hospital em Pittsburgh — o hospital real que inspirou a série — disse à CBS Pittsburgh que já viu todos aqueles casos e situações da primeira temporada, mas não todos no mesmo plantão. "Seria um plantão muito ruim", disse ele.
A fasciotomia nota 10
No segundo episódio da primeira temporada, um paciente chega com o antebraço gravemente inchado após ser atingido por um fio de alta tensão.
A doutora Santos realiza uma fasciotomia (incisão nos tecidos para liberar a pressão que estava cortando o fluxo de sangue). O Dr. Reed Caldwell, especialista em medicina de emergência ouvido pelo Bored Panda, avaliou a cena e disse que o uso de marcador para identificar o local da incisão é uma representação precisa do procedimento.
O uso do bisturi e a pressão aplicada também estavam corretos. Sua nota: 10 de 10 em realismo.
O infarto que parecia pedra na vesícula
A série exibe também um sintoma de infarto que imita quase perfeitamente um ataque de vesícula — completo com um ultrassom mostrando a pedra.
'The Pitt': série é uma das mais realistas de medicina, segundo profissionais da área da saúde (Divulgação/HBO)
O Dr. Brady Pregerson, médico emergencista que revisou a série para a publicação Clinical Advisor, destacou que o esforço da equipe de produção em garantir que as imagens de ultrassom mostrassem genuinamente a condição é um nível de detalhe que passa despercebido para o público comum, mas não para quem trabalha na área.
A fratura pélvica e o choque hemorrágico
No finale da primeira temporada, um funcionário do hospital sofre uma fratura pélvica.
O Dr. Ed Hope, residente de medicina de emergência no Reino Unido, destacou ao Bored Panda que a representação da lesão era precisa, já que o sangramento nesse tipo de fratura é frequentemente interno, e o paciente já mostrava sinais de choque hemorrágico, como pulso fraco e frequência cardíaca alta.
O uso de um cinto pélvico para fechar a fratura como tratamento inicial e a administração de ácido tranexâmico para prevenir coágulos são procedimentos reais e corretos, segundo Hope.
A dor que ninguém acreditou
Talvez o caso mais incômodo da série não envolva sangue nem cirurgia. Uma paciente com doença falciforme é trazida à emergência por policiais após ser retirada de um ônibus por "perturbar os passageiros".
A equipe pré-hospitalar a classificou como "agressiva" e "em busca de drogas" porque ela gritava pedindo analgésicos e carregava um frasco vazio de analgésico opioide, quando, na verdade, estava em crise vasooclusiva grave, uma das dores mais intensas que a medicina conhece, segundo o portal The Pitt Casebook, que documenta os casos clínicos da série com análise médica.
Na série, quando um residente diz à paciente para "não exagerar" no botão de morfina, a Dra. Mohan o puxa imediatamente de lado e o repreende por minimizar a dor dela, de acordo com reportagem do portal MS Now.
A cena viralizou entre profissionais de saúde porque esse viés de pacientes negros com dor crônica sendo sistematicamente desacreditados é documentado e frequente.
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