TIM paga mais imposto no 1º tri e lucro vem abaixo do esperado; ação cai

Por Mitchel Diniz 6 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
TIM paga mais imposto no 1º tri e lucro vem abaixo do esperado; ação cai

A TIM Brasil encerrou o primeiro trimestre de 2026 com receita e EBITDA em linha com o ritmo de crescimento dos trimestres anteriores, mas o lucro líquido veio abaixo do esperado. Ficou em R$ 821 milhões, crescimento de apenas 1,3% na comparação anual, pressionado por uma carga tributária significativamente maior do que a registrada um ano antes.

O impacto veio do Imposto de Renda e da Contribuição Social (IR/CS). Nos três primeiros meses deste ano, a linha consumiu R$ 170 milhões do resultado. No mesmo período em 2025, essa mesma linha havia gerado um crédito de R$ 97 milhões. A alíquota efetiva de impostos saltou para 17,1%.

A própria empresa explica a variação. A base de comparação foi distorcida pelo volume de Juros sobre Capital Próprio (JCP) distribuídos em cada período. No primeiro trimestre de 2025, a TIM havia anunciado R$ 690 milhões em JCP. No Brasil, o provento funciona como despesa dedutível do lucro tributável e, portanto, reduz a base de cálculo do imposto. Nos três primeiros meses deste ano, esse valor caiu para R$ 390 milhões, reduzindo o escudo fiscal e elevando a carga tributária efetiva da companhia.

Receitas e operação sem surpresas

No lado operacional, os números seguiram a trajetória esperada. A receita líquida total chegou a R$ 6,806 bilhões, alta de 6,5% ano a ano. O crescimento foi puxado tanto pelo segmento móvel — cuja receita subiu 5,6% no período — quanto pelo fixo, com avanço de 22,8%, impulsionado pela TIM Ultrafibra e pela consolidação da V8.Tech, empresa de tecnologia B2B.

No móvel, o pós-pago continua sendo o motor principal. A receita desse segmento cresceu 7,5% no ano, com a base de clientes expandindo 7,6% e o ARPU (receita por usuário) chegando a R$ 55,1 por mês. O pré-pago seguiu em queda de 6,5%, mas a empresa considera que a tendência de desaceleração desta perda está se estabilizando desde o 3º trimestre de 2025.

Na Ultrafibra, a TIM registrou 36 mil adições líquidas de clientes FTTH no trimestre, levando a base total a 880 mil assinantes, crescimento de 11,4% em 12 meses. Praticamente 100% da base já opera em fibra óptica (FTTH), e 92% dos clientes utilizam velocidades de 400 Mbps ou superiores.

O EBITDA normalizado chegou a R$ 3,287 bilhões, alta de 6,6% anual, com margem estável em 48,3%.

Custos sob pressão

Os custos operacionais normalizados somaram R$ 3,519 bilhões, alta de 6,3%. A linha de rede e interconexão foi a que mais pesou, subindo 13,2% por conta de maiores custos de roaming internacional, crescimento de gastos com provedores de conteúdo digital e despesas com contratos de compartilhamento de infraestrutura.

A provisão para devedores duvidosos também avançou 23,8%, reflexo do crescimento acelerado da base pós-paga, segmento com maior exposição ao risco de inadimplência e que já representa 53% da base total de clientes móveis.

O Capex foi de R$ 1,354 bilhão, praticamente estável (+1,1%), representando 19,9% da receita líquida. Houve ligeira melhora ante os 20,9% do primeiro trimestre de 2025. Com isso, o Fluxo de Caixa Operacional chegou a R$ 1,169 bilhão, expansão de 16,8% no ano.

A posição de caixa encerrou março em R$ 5,871 bilhões, alta de 10,2% em 12 meses. A alavancagem financeira permanece controlada: a relação dívida líquida/EBITDA ficou em 0,82 vez,.

Para o ano inteiro de 2026, a companhia mantém o guidance de distribuição de R$ 5,3 bilhões a R$ 5,5 bilhões em proventos aos acionistas.

Às 11h36 (horário de Brasília), os papéis TIMS3 caíam 7,5%.

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