Tombo de 11%: o que explica a maior queda diária da Embraer em 4 anos

Por Caroline Oliveira 14 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Tombo de 11%: o que explica a maior queda diária da Embraer em 4 anos

As ações da Embraer (EMBJ3) fecharam a quinta-feira, 12, no menor preço em quase oito meses: R$ 74,62.  A queda na sessão de ontem, em que o Ibovespa sucumbiu mais uma vez à aversão ao risco global, foi de nada menos do que 11%. Antes disso, uma baixa dessa magnitude só tinha sido vista em março de 2022, ou seja, há exatos quatro anos. E naquela ocasião, uma outra guerra também havia acabado de começar: a da Rússia contra a Ucrânia.

Hoje, a escalada do conflito envolvendo o Irã tem pressionado o setor de aviação em diferentes frentes. Uma delas é o aumento do custo de combustível, o que tem afetado diretamente as aéreas, compradoras das aeronaves.

As ações de companhias aéreas nos Estados Unidos entraram em queda na última semana, à medida que a alta do querosene de aviação — impulsionada pelas tensões no Oriente Médio — passou a elevar custos e pressionar as margens de lucro dessas empresas. O índice S&P Supercomposite Airlines Industry acumula recuo de cerca de 23% desde sua máxima recente.

Outro fator de preocupação é a situação no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de energia. Autoridades de defesa do Reino Unido afirmaram que o Irã pode ter começado a posicionar minas na região, enquanto forças navais iranianas passaram a atacar embarcações acusadas de ignorar avisos de navegação, aumentando a incerteza sobre a cadeia global de suprimentos e o mercado de energia. O novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, informou que a passagem marítima deve permanecer fechada.

O aumento dos custos de combustível reduz a lucratividade das companhias aéreas e pode levar clientes a adiar pedidos de aeronaves. Apesar do recorde da carteira da encomendas da empresa, a incerteza geopolítica normalmente faz com que os clientes corporativos adiem seus gastos de capital.

Nesse contexto, a combinação de aversão global ao risco dos mercados emergentes, a fraqueza do setor aéreo e escalada das tensões no Oriente Médio formam uma combinação perfeita para um sell off.

Por outro lado, a companhia mantém o seu prestígio entre os analistas, com preço-alvo elevado, recentemente, por JP Morgan e BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME).

Resultados do Quarto Trimestre

O recuo das ações ocorre dias depois da Embraer divulgar seus resultados do quarto trimestre de 2025. A companhia registrou receita recorde de R$ 41,9 bilhões no ano, alta de 18% em relação a 2024 e acima do limite superior das projeções da própria empresa. Apenas no quarto trimestre, a receita somou R$ 14,3 bilhões.

Apesar do avanço operacional, o lucro líquido ajustado no quarto trimestre foi de US$ 153,2 milhões, abaixo dos US$ 173 milhões registrados no mesmo período do ano anterior.

Para analistas, parte desse movimento reflete uma reação mais ampla de investidores globais às tensões no Oriente Médio, que aumentaram a aversão ao risco e pressionaram empresas ligadas ao setor de aviação.

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