Toyota corta projeção de lucro após pressão de tarifas e China

Por Ana Luiza Serrão 9 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Toyota corta projeção de lucro após pressão de tarifas e China

A combinação entre tarifas, avanço das montadoras chinesas e custos maiores com tecnologia começou a pesar mais sobre a Toyota. A montadora japonesa cortou sua projeção de lucro para o próximo ano fiscal.

Agora espera lucro operacional de 3 trilhões de ienes no ano fiscal que termina em março de 2027, corte superior a 20% em relação à última estimativa, segundo informações da CNBC. Já a previsão da receita de vendas ficou 0,6% maior.

Fontes ouvidas pelo canal evidenciam que o ajuste reforça a pressão enfrentada pelas grandes fabricantes globais em um momento de disputa comercial mais intensa e transformação acelerada do setor automotivo.

O último balanço ficou abaixo do esperado, com o resultado operacional caindo 49% no quarto trimestre. Após os números chegarem ao mercado, as ações da Toyota encerraram o pregão desta sexta-feira, 8, com queda de 2,18% em Tóquio.

Lucro abaixo das expectativas

A maior montadora do mundo em volume de vendas registrou lucro operacional de 569,4 bilhões de ienes entre janeiro e março, abaixo da expectativa de 813,28 bilhões de ienes projetada pela LSEG.

A receita somou 12,6 trilhões de ienes no período, praticamente estável em relação ao consenso do mercado. Só que este é o quarto trimestre consecutivo de queda anual no lucro operacional da companhia.

Mesmo com a receita avançando 1,89% na comparação anual, a Toyota viu a rentabilidade ser pressionada pelo aumento dos custos e pela piora do ambiente global para as montadoras.

Já o lucro líquido atribuível aos acionistas ficou em 817,2 bilhões de ienes, acima dos 664,6 bilhões de ienes registrados um ano antes, enquanto as vendas globais de veículos caíram para 2,29 milhões de unidades.

Guerra comercial pesa na Toyota

Em comunicado, a Toyota apontou diretamente os efeitos das tarifas estadunidenses, estabelecidas pelo presidente Donald Trump, como um dos principais fatores de pressão sobre os resultados.

Além disso, o aumento dos investimentos em pessoal, tecnologia e projetos futuros também pesou.

A empresa também deve enfrentar custos maiores relacionados à inflação global, com desafio de recalls de veículos (retorno para corrigir problemas) e impactos indiretos da guerra no Irã.

E não só os Estados Unidos seguem no centro das preocupações da montadora, mas também a China, com uma disputa agressiva em veículos elétricos, com fabricantes locais ampliando participação de mercado.

Estratégia de elétricos continua no foco

A Toyota, porém, mantém os planos de expansão no mercado de veículos elétricos a bateria, principalmente na China, Europa e América do Norte, mesmo com a concorrência ofertando preços baixos e lançamentos frequentes.

A montadora afirmou que espera crescimento da demanda nesses mercados e pretende ampliar presença regional nos próximos anos. Busca, ainda, reduzir desperdícios e cortar custos de produção para proteger rentabilidade.

Investimentos bilionários nos EUA

A Toyota também tenta reforçar sua presença industrial nos EUA. Em março, a empresa anunciou investimento de US$ 1 bilhão em duas fábricas por lá, parte de um plano que prevê até US$ 10 bilhões em aportes em cinco anos.

Ela também mudou a forma de calcular suas projeções financeiras, passando a usar uma média cambial de seis meses, e não mais mensalmente, adotando estimativa de 150 ienes por dólar para o atual ano fiscal.

Fontes consultadas pela CNBC explicaram que o iene mais fraco costuma beneficiar exportadoras japonesas porque aumenta a competitividade dos produtos no exterior e amplia o valor das receitas internacionais.

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