Transição da reforma tributária ainda gera dúvidas para 41% das empresas, aponta pesquisa
Uma pesquisa feita pela multinacional de tecnologia e consultoria NTT DATA indica que quase metade das empresas brasileiras ainda enfrenta dificuldades para se preparar para a reforma tributária. O levantamento, feito com mais de mil companhias em 20 estados, aponta que 41% consideram a transição entre o modelo atual de impostos e o novo sistema como o principal ponto de dúvida neste momento da implementação.
A reforma prevê a substituição de tributos como PIS, Cofins, ICMS e ISS por dois novos impostos: a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). Durante o período de transição, empresas terão de conviver com regras antigas e novas ao mesmo tempo.
Segundo Diogo Brito, product director da NTT DATA, o desafio está em transformar mudanças legais em processos operacionais dentro das empresas.
“A simplificação prometida pela reforma não elimina a complexidade da transição. As empresas terão de conviver durante anos com dois modelos tributários ao mesmo tempo, o que exige revisão de processos, sistemas e governança”, diz.
Dúvidas sobre incentivos e regimes
Além da mudança estrutural do sistema de impostos, o levantamento mostra outras incertezas.Cerca de 22% das empresas dizem não saber como ficarão os incentivos fiscais e setoriais após a reforma. Outros 15% afirmam ainda não compreender totalmente como a segunda fase das mudanças afetará seus regimes tributários.
Para Brito, essa situação ocorre porque parte das regras ainda depende de regulamentação e detalhamento por parte do governo.
A reforma começou a ganhar tração em 2023, após anos de discussões no Congresso. Desde então, empresas e fornecedores de tecnologia passaram a acompanhar o tema com maior atenção para adaptar sistemas fiscais e de gestão.
Empresas começam a adaptar sistemas
Apesar das dúvidas, a pesquisa mostra avanço na preparação das companhias. Segundo o levantamento, 65% das empresas já iniciaram projetos de adaptação de sistemas fiscais e plataformas de gestão empresarial (ERP).
Em uma pesquisa semelhante feita pela NTT DATA em 2025, o cenário era diferente: na época, 38% das empresas afirmavam ainda não ter iniciado qualquer ajuste.
Mesmo assim, parte das organizações ainda está em estágio inicial de preparação. Cerca de 10% disseram estar apenas buscando informações sobre a reforma, enquanto 4% afirmaram que ainda não começaram o planejamento.
Segundo Brito, esse descompasso pode gerar impactos operacionais entre empresas que avançaram mais na adaptação e aquelas que ainda não iniciaram mudanças.
Diogo Brito, da NTT DATA: empresas terão de adaptar processos e sistemas para conviver com dois modelos tributários durante a transição da reforma. (NTT DATA/Divulgação)
Impactos vão além da área fiscal
Para o executivo, a reforma não deve afetar apenas o cálculo de impostos. A mudança também pode alterar rotinas operacionais e relações com fornecedores.
“O primeiro passo para as empresas é fazer um diagnóstico sobre como a reforma impacta processos, sistemas e contratos. Não se trata apenas de uma mudança tributária, mas de uma transformação estrutural que envolve diversas áreas do negócio”, afirma.
Segundo ele, companhias também precisam avaliar como a transição pode afetar a cadeia de fornecedores. Caso parceiros comerciais não estejam preparados para as novas regras, isso pode gerar mudanças de custos e preços ao longo da cadeia.
Riscos apontados pelas empresas
Entre as principais preocupações relatadas pelas empresas na pesquisa, 27% citam mudanças nos processos internos como o maior risco da transição. Outros 23% apontam a possibilidade de erros de apuração e autuações fiscais.
Além disso, 18% dizem temer dificuldades de integração entre novos sistemas e plataformas já utilizadas pelas companhias.
Para Brito, a preparação envolve atualização tecnológica e capacitação das equipes responsáveis pela gestão fiscal.
“Processos internos mal ajustados ou sistemas desatualizados podem gerar inconsistências e penalidades”, diz.
Segundo ele, a pesquisa busca acompanhar ao longo dos próximos anos como as empresas estão se adaptando ao novo sistema tributário e quais etapas da transição ainda geram dúvidas no setor produtivo.
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