Travel Rule: a nova era de compliance no setor cripto brasileiro

Por Da Redação 24 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Travel Rule: a nova era de compliance no setor cripto brasileiro

Por Georgia Sanches*

A implementação da Travel Rule no Brasil marca um divisor de águas para o setor de ativos virtuais, passando a exigir que os VASPs (provedores de ativos virtuais, na sigla em inglês), compartilhem informações sobre remetentes e destinatários em transações acima de valores determinados. Não se trata de mera exigência regulatória, mas também um passo estratégico para consolidar o país como referência em compliance na América Latina.

Segundo o relatório State of the Crypto Industry 2026, da Sumsub, mais da metade das plataformas do mercado brasileiro já estão totalmente prontas ou ativamente implementando as novas exigências, que entraram em vigor em fevereiro. A adesão coloca nosso país em sintonia com mercados mais maduros, como o Chile, Alemanha e Singapura, e mostra como a agilidade já é vista como uma forma de fortalecer a confiança do setor.

O futuro do compliance cripto no Brasil

A Travel Rule é um marco que eleva o padrão de segurança e credibilidade do setor. Seguindo este caminho, o Brasil tem a oportunidade de se tornar referência regional em regulação de ativos virtuais, enquanto deixa de ter um modelo de acesso aberto e passa a contar com uma abordagem mais estruturada.

Players globais já estão em busca da localização de seus sistemas, seja montando operações locais ou formando parcerias estratégicas para se adequarem à nova realidade antes do limite para obtenção de autorizações, em outubro deste ano.

Esse processo soa mais fácil para os nomes maiores e com mais capital para investir, enquanto empresas de menor porte devem confiar em integrações para que se mantenham ativas no setor brasileiro, já que a adaptação às regras locais aumentou os custos e a complexidade da operação para todos.

Enquanto isso, estamos falando de um cenário ainda em amadurecimento, com o Banco Central do Brasil estabelecendo diálogo com o mercado para chegar a padrões claros e orientações diretas. Refinar a aplicação das regras deve ser o próximo passo dos órgãos oficiais, garantindo que o alinhamento às regulamentações internacionais seja operacionalmente viável.

Amplitude tecnológica é desafio

O principal ponto crítico é a necessidade de integração entre diferentes plataformas, além dos sistemas globais, para compartilhar informações em conformidade com leis locais de proteção de dados. Além disso, há de se citar o desafio da verificação de identidade em um segmento que possui diferentes padrões de documentação, propriedades de carteiras, formatos de arquivos e protocolos de transmissão, que podem levar a falsos resultados ou atrasos na análise.

Traduzir as expectativas regulatórias em sistemas escaláveis se provou complexo. Na atualidade, é a principal preocupação dos operadores que trabalham no mercado brasileiro. A construção de sistemas que deem suporte a estas necessidades têm demandado altos investimentos para que a segurança na transmissão de dados, bem como na auditoria e processamento em tempo real destas informações, se mantenha segura e ágil.

É aqui que soluções robustas fazem toda a diferença. A nossa experiência mostra que, quando bem implementada, a Travel Rule não precisa ser um obstáculo e acaba se tornando um catalisador de inovação. Ferramentas que automatizam a coleta e transmissão de dados asseguram conformidade regulatória e reduzem erros humanos.

Elas já estão disponíveis e têm se mostrado altamente eficazes. De acordo com nossos dados, soluções de compliance à Travel Rule aplicadas à infraestrutura de operadores de criptomoedas, por exemplo, reduziram em 35% a taxa de desistência de clientes durante o processo de onboarding. As operações e verificações mais rápidas trouxeram benefícios para os negócios, melhorando a eficiência operacional enquanto garantem conformidade completa.

Para os VASPs, o recado é claro: investir em soluções que atendam os desafios da legislação é investir na sustentabilidade dos negócios. Para a Sumsub, com sua experiência global em auxiliar operadores a garantirem compliance e dados concretos sobre a aplicação tecnológica, fica claro que transformar exigências regulatórias em vantagem competitiva é plenamente possível e, acima disso, necessário.

*Georgia Sanches é country manager da Sumsub no Brasil.

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