Trela encerra operações após cinco anos: "Não encontramos os parceiros ideais”

Por Isabela Rovaroto 2 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Trela encerra operações após cinco anos:

O modelo de foodtech que cresceu na pandemia começa a mostrar seus limites no Brasil, especialmente entre startups que dependem de capital externo para escalar.

A Trela, startup mineira de compras coletivas de alimentos, anunciou nesta quinta-feira, 2, o encerramento das suas operações após cerca de cinco anos de atividade. A empresa ficou conhecida por conectar consumidores a produtores por meio de grupos de WhatsApp e chegou a captar US$ 25 milhões em uma rodada liderada pelo SoftBank.

O fechamento ocorre em um momento de maior seletividade dos investidores. A própria empresa afirma que a continuidade da operação dependia de uma nova rodada de capital, que não se concretizou.

“Como a maioria das startups, para continuar crescendo e servindo nossos clientes, precisávamos captar um novo investimento. Nos esforçamos muito para isso, mas não encontramos os parceiros e os termos ideais para seguir em frente”, afirmou a empresa em comunicado.

Sem novos recursos, a Trela decidiu encerrar as atividades. “Sem os recursos para continuar, a decisão responsável foi encerrar por aqui, honrando todos os nossos compromissos com quem caminhou com a gente”, diz o texto.

Do grupo de condomínio ao social commerce

Fundada em 2020, em Nova Lima, Minas Gerais, a Trela surgiu com uma proposta de reduzir o custo das compras de alimentos ao eliminar intermediários. A empresa estruturava grupos de vizinhos, principalmente via WhatsApp, que compravam coletivamente de pequenos e médios fornecedores.

A lógica era simples. Ao concentrar pedidos, a empresa conseguia negociar melhores preços, reduzir custos logísticos e oferecer frete gratuito.

O modelo combinava curadoria de produtos, planejamento logístico e compras programadas. Ao contrário de outras empresas do setor, a Trela não buscava competir pela entrega imediata, mas por qualidade e previsibilidade.

A proposta atraiu investidores relevantes. Em 2021, a empresa levantou 16 milhões de reais com fundos como Kaszek e General Catalyst. No ano seguinte, anunciou uma rodada série A de US$ 25 milhões liderada pelo SoftBank, com participação de Y Combinator e outros investidores.

Com o novo capital, a empresa traçou um plano agressivo de expansão. A ideia era crescer rapidamente em grandes centros urbanos e ampliar a base de clientes e fornecedores.

A Trela avançou principalmente em cidades como Belo Horizonte e São Paulo e chegou a atender mais de 100 mil clientes, além de reunir mais de 400 fornecedores em sua plataforma.

O crescimento, no entanto, vinha acompanhado de um desafio estrutural. O modelo exigia escala para funcionar de forma eficiente e, ao mesmo tempo, dependia de investimentos constantes para sustentar a expansão.

O limite do modelo sem novo capital

O comunicado diz que a empresa buscava uma nova rodada para continuar operando. Sem sucesso na captação, a continuidade do negócio deixou de ser viável.

“Nosso sonho com a Trela era muito maior do que tudo que construímos até hoje”, afirmou a empresa. “Mas sem os recursos para continuar, a decisão responsável foi encerrar por aqui.”

Com juros mais altos e investidores mais cautelosos, empresas que dependem de capital externo para crescer passaram a enfrentar mais dificuldade para levantar novas rodadas.

No segmento de foodtech, o desafio é ainda maior. A operação envolve logística, controle de qualidade e margens apertadas, o que torna a busca por rentabilidade mais complexa.

O encerramento marca mais um capítulo do ajuste pelo qual passa o ecossistema de startups. Menos capital disponível significa menos espaço para modelos que ainda não provaram sustentabilidade financeira.

A Trela encerra sua trajetória com a promessa de honrar compromissos e com uma base relevante construída, mas sem conseguir atravessar a nova fase do mercado.

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