Trump determina corte de relações comerciais com a Espanha após divergências sobre bases aéreas

Por Mateus Omena 3 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Trump determina corte de relações comerciais com a Espanha após divergências sobre bases aéreas

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou ter determinado ao secretário do Tesouro, Scott Bessent, que "cortasse todo o comércio com a Espanha" após o governo espanhol negar o uso de bases militares no país para a campanha de bombardeios contra o Irã.

“Eu disse a Scott para cortar todas as relações comerciais com a Espanha”, declarou Trump na terça-feira, durante reunião com o chanceler alemão Friedrich Merz, na Casa Branca.

Trump não detalhou de que forma executaria a medida, que envolveria implicações nas relações entre Estados Unidos e União Europeia. Em seguida, ele indicou que poderia impor um embargo total a produtos espanhóis, embora não tenha confirmado se adotaria a iniciativa.

"A Espanha não tem absolutamente nada que precisemos além de um povo excelente", disse Trump. "Eles têm um povo excelente, mas não têm uma liderança excelente."

Divergências sobre Oriente Médio e OTAN

Presidente dos EUA, Donald Trump, se reúne com o chanceler alemão Friedrich Merz no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, em 3 de março de 2026. (Andrew Caballero-Reynolds/AFP via Getty Images) ( ANDREW CABALLERO-REYNOLDS/Getty Images)

A manifestação ocorreu após o fechamento do mercado acionário espanhol. O ETF iShares MSCI Spain recuava 5,7% às 18h32. Em Madri, o índice local reduziu perdas que chegaram a 6,8%, em sessão marcada por preocupações com inflação na Europa.

Neste domingo, o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, classificou a operação conduzida por EUA e Israel como uma “intervenção militar injustificada e perigosa, fora do direito internacional”. O governo espanhol informou a Washington que as duas bases militares no sul do país não poderiam ser utilizadas na ofensiva, sob o argumento de que o tratado que regula as instalações não contempla esse tipo de ação.

“Queremos ações militares sempre sob a Carta das Nações Unidas e com esforço coletivo”, disse o ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albarés, em entrevista à Bloomberg. “Um mundo baseado em regras previsíveis é melhor do que um mundo em que a força é a única regra.”

A tensão ocorre em meio à cobrança de Trump para que aliados da OTAN elevem os gastos com defesa para 5% do Produto Interno Bruto (PIB), proposta rejeitada por Madri. Em outubro de 2025, o presidente americano afirmou que a Espanha deveria receber uma “punição comercial” por causa da divergência.

“Eu poderia amanhã parar — ou hoje, melhor ainda — parar tudo o que tem a ver com a Espanha, todos os negócios com a Espanha, tenho o direito de parar, embargos, fazer o que eu quiser com isso”, continuou Trump. “E podemos fazer isso com a Espanha.”

Já Scott Bessent declarou, durante o encontro, que acredita que Trump possui base legal para embargar produtos espanhóis, sem indicar se a medida será adotada.

Friedrich Merz manifestou apoio à cobrança para que a Espanha aumente os gastos com defesa. “Estamos tentando convencer a Espanha a atingir a meta de gastos da OTAN”, afirmou o chanceler, ao lado de Trump. “A Espanha é a única que não está disposta a aceitar isso, e estamos tentando convencê-los de que isso faz parte da nossa segurança comum, que todos temos que cumprir esses números.”

Atritos com Londres

Na reunião, Trump também criticou o Reino Unido por não autorizar o uso da base de Diego Garcia em ataques contra o Irã, afirmando estar “surpreso”, mas sem anunciar medida comercial semelhante.

“Esta não é a era de Churchill. Devo dizer que o Reino Unido tem sido muito, muito pouco cooperativo com aquela ilha estúpida que eles têm”, disse.

Em entrevista ao jornal britânico The Sun, Trump apontou que as relações entre Washington e Londres "já não são mais as mesmas". A fala foi publicada dias depois do episódio envolvendo a base utilizada pelos americanos.

No mês anterior, a Suprema Corte dos EUA derrubou a utilização, por Trump, de uma lei de poderes de emergência para aplicar as chamadas tarifas recíprocas em escala global.

Após a decisão, o presidente anunciou uma nova taxa global de 10%, com possibilidade de elevação para 15%, e sinalizou que as tarifas continuarão no centro da política comercial americana.

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