Trump pode atacar Cuba antes do fim da guerra no Irã?
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a fazer declarações sobre seu desejo de mudar o comando de Cuba, ilha governada por um regime socialista desde 1959.
Na segunda-feira, 16, Trump disse que espera ter "a honra de tomar Cuba" durante seu mandato, em meio a conversas com o governo de Havana, exaurido pela crise energética provocada por um embargo americano à compra de petróleo.
"Acho realmente que terei a honra de tomar Cuba, de alguma maneira", declarou Trump a jornalistas no Salão Oval.
"Quero dizer libertá-la, ou tomá-la. Acho que posso fazer o que quiser. É uma nação muito debilitada neste momento", afirmou.
Nesta terça, Trump voltou ao tema e disse que fará "algo com Cuba muito em breve", durante entrevista coletiva.
Em seguida, ele passou a palavra ao secretário de Estado, Marco Rubio, que é descendente de cubanos e está em negociações com o país.
Rubio disse que a ilha “tem uma economia que não funciona dentro de um sistema político e governamental”. Eles não conseguem consertar isso. Então precisam mudar drasticamente.˜
“O que anunciaram ontem não é suficientemente drástico. Não vai resolver”, afirmou.
Na segunda-feira, o governo da ilha anunciou que cubanos que emigraram poderão investir e comandar empresas na ilha.
Queda de Canel?
Também na segunda-feira, uma reportagem do jornal The New York Times apontou que o governo americano pressiona para que o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, deixe o poder, mas que o regime seja mantido, assim como feito na Venezuela.
"De acordo com essas fontes, os americanos deixaram claro aos negociadores cubanos que o presidente deve sair, mas deixam nas mãos dos cubanos a decisão sobre a continuidade dos acontecimentos", aponta o jornal nova-iorquino, que cita quatro fontes familiarizadas com as conversas.
Uma fonte disse ao jornal que "remover o chefe de Estado de Cuba permitiria mudanças estruturais na economia de um país que o senhor Díaz-Canel, considerado linha-dura por funcionários [de Trump], dificilmente apoiaria".
Díaz-Canel reconheceu na sexta-feira que os dois governos estão em negociações, embora tenha revelado pouco sobre a natureza desses diálogos.
Miguel Díaz-Canel, atual presidente de Cuba (AFP)
Crise com o Irã
A pressão sobre Cuba vem em um momento em que os Estados Unidos já estão envolvidos em uma guerra no Irã, há mais de três semanas, sem previsão de término.
Para Roberto Uebel, professor de relações internacionais na ESPM, as duas operações podem ocorrer em paralelo, pois o regime cubano estava na mira de Trump faz tempo.
"Desde o início do segundo governo de Trump, em janeiro de 2025, há interesse em desestabilizar o regime cubano e provocar uma mudança de regime", afirma.
"Isso está muito claro na própria estratégia de segurança nacional: exercer a influência máxima dos Estados Unidos na região da América Latina e do Caribe", diz Uebel, citando a estratégia que foi divulgada em dezembro e apelidada de Doutrina Donroe.
Uebel espera que a queda do regime, que ele considera bastante enfraquecido, possa ocorrer por algum tipo de acordo ou por uma operação militar de menor porte.
"Os Estados Unidos têm limitado o acesso de Cuba a combustíveis e até a própria geração de energia, porque isso leva a um contexto de total instabilidade que joga a população contra o governo, e isso pode culminar em uma queda de regime", diz.
"Não enxergo nesse momento algo parecido com o que aconteceu no Irã ou até mesmo uma operação tática para remoção dos líderes cubanos, como aconteceu com Maduro na Venezuela", diz.
No caso da Venezuela, o presidente foi retirado do cargo, mas praticamente todos os outros chefes do governo se mantiveram no poder e aceitaram exigências dos EUA, como ceder aos americanos o controle da venda de petróleo venezuelano.
Em Cuba, as empresas americanas foram expulsas nos anos 1960, após a Revolução Comunista. Além de uma possível volta das empresas, os EUA poderão exigir que a ilha volte ao sistema capitalista, o que encerraria um dos últimos modelos de economia plenamente socialista no mundo.
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