Trump quer ampliar tratamento com caneta emagrecedora no 'SUS dos EUA'

Por Caroline Oliveira 4 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Trump quer ampliar tratamento com caneta emagrecedora no 'SUS dos EUA'

O plano do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de ampliar a cobertura de medicamentos para perda de peso no programa Medicare pode gerar um impacto bilionário para seguradoras já no primeiro ano de implementação, segundo análise publicada no Journal of the American Medical Association (JAMA) e veiculada pela Bloomberg.

A proposta prevê ampliar o acesso a remédios da classe GLP-1 para obesidade, como o Ozempic,  entre beneficiários do programa voltado a idosos. O governo argumenta que os preços mais baixos negociados com farmacêuticas no ano passado compensariam o custo adicional da expansão da cobertura para milhões de novos pacientes.

Segundo Mehmet Oz, diretor dos Centros de Serviços Medicare e Medicaid, a iniciativa pretende ampliar o acesso e reduzir preços sem transferir custos aos contribuintes.

Uma nova análise acadêmica, porém, coloca essa avaliação em dúvida. De acordo com pesquisadores liderados pela professora de política de saúde Stacie Dusetzina, da Universidade Vanderbilt, a economia estimada em mais de US$ 900 milhões no primeiro ano seria suficiente para cobrir apenas cerca de 4,4% dos pacientes que passariam a ser elegíveis para os medicamentos.

O estudo chega em um momento decisivo para o setor. As seguradoras têm até 20 de abril para informar se irão aderir ao programa opcional previsto para o próximo ano. O governo afirmou que só seguirá adiante com a iniciativa caso operadoras responsáveis por ao menos 80% da população atendida pelo Medicare participem.

Para atingir esse patamar, seria necessária a adesão de praticamente todas as grandes seguradoras que operam o benefício farmacêutico do programa. Na avaliação de Dusetzina, não há um caminho claro para que os planos ampliem o acesso sem impacto financeiro significativo.

Como parte de acordos de precificação de medicamentos com farmacêuticas sob a política chamada de “nação mais favorecida”, o governo também se comprometeu com fabricantes a criar um caminho regulatório para a inclusão dos remédios contra obesidade no Medicare — um potencial novo mercado relevante para a indústria. Atualmente, esses medicamentos estão disponíveis no programa apenas para pacientes com condições associadas, como doenças cardíacas ou diabetes.

Apesar das preocupações com custos, representantes do setor afirmam que as seguradoras avaliam a participação no projeto-piloto e, de modo geral, consideram que a população idosa deveria ter acesso às terapias, segundo afirmou Jeanette Thornton, vice-presidente executiva de política e estratégia da AHIP, um grupo de lobby do setor.

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