Trump viajará à China no final de março para encontro crucial com Xi Jinping
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, planeja viajar à China entre 31 de março e 2 de abril para se reunir com o líder chinês Xi Jinping. A informação foi divulgada nesta sexta-feira, 20, pela agência Bloomberg.
A agenda ocorre em meio a uma nova fase de incertezas na relação comercial entre as duas maiores economias do mundo e ao avanço das tensões em torno de Taiwan. O encontro sinaliza uma tentativa de reorganizar a agenda bilateral após meses de oscilações em tarifas e restrições comerciais.
A reunião está prevista poucos dias após a Suprema Corte dos Estados Unidos decidir, na sexta-feira, derrubar as amplas tarifas americanas sobre exportações. A decisão judicial altera o ambiente político das negociações e interfere diretamente nos esforços para prorrogar a trégua firmada no ano passado. O acordo anterior havia sido alcançado após uma sequência de aumentos tarifários recíprocos entre Washington e Pequim.
"Vou à China em abril, e será uma visita agitada", disse Trump na quinta-feira, durante a primeira reunião do Conselho de Paz em Washington.
O presidente afirmou que espera uma recepção superior à organizada em 2017, quando visitou Pequim durante seu primeiro mandato. O gesto foi citado como referência para o protocolo que aguarda nesta nova visita.
"O presidente Xi me tratou muito bem, fez uma demonstração de força. Nunca vi tantos soldados, todos da mesma altura, exatamente da mesma altura", disse Trump. “Mas eu disse: ‘Você tem que superar isso.’ Ele respondeu: ‘Eu vou superar isso. Nós vamos superar isso.’”
Trump também declarou que pretende receber Xi em Washington ainda este ano. O líder chinês deve comparecer a uma reunião do G20 na Flórida.
O novo encontro marca uma mudança em relação ao início do ano passado, quando uma sequência de aumentos tarifários e restrições às exportações provocou instabilidade nos mercados globais e ampliou receios de recessão. Após negociações prolongadas, em outubro, os dois governos fecharam um entendimento com duração de um ano para reduzir tarifas e controles sobre exportações estratégicas.
Segundo o Wall Street Journal, autoridades chinesas pretendem priorizar a extensão da trégua. O jornal informou que Pequim deve pressionar por novos cortes tarifários e por maior flexibilidade nas restrições à importação de chips avançados de inteligência artificial, tecnologia estratégica para o setor industrial e militar.
Por outro lado, a decisão da Suprema Corte tende a reforçar a posição chinesa nas tratativas. O cenário pode dificultar a aprovação de pedidos esperados por Trump, como a ampliação de compras de soja, aeronaves da Boeing e energia produzida nos Estados Unidos.
A redução do déficit comercial permanece no centro da estratégia do governo americano. Em 2025, o déficit anual dos EUA com a China caiu para cerca de US$ 202 bilhões, o menor nível em 21 anos, conforme dados do Departamento de Comércio.
Taiwan e a Dimensão Geopolítica
As negociações comerciais ocorrem sob influência de fatores políticos. Taiwan, ilha autogovernada que Pequim considera parte de seu território, permanece como um dos principais pontos de fricção. Em fevereiro, durante telefonema com Trump, Xi Jinping afirmou que a China não aceitará a separação de Taiwan e pediu que os Estados Unidos tratem a venda de armas para Taipei com “extrema cautela”, segundo informações do governo chinês.
Em dezembro, Washington aprovou um pacote de venda de armas para Taiwan estimado em até US$ 11 bilhões. O Ministério das Relações Exteriores de Taiwan declarou que os Estados Unidos mantiveram a política de normalização das vendas. O anúncio provocou reação imediata de Pequim, embora não tenha havido exigência formal de suspensão total das operações.
Taipei reforça suas capacidades de defesa diante do aumento da pressão chinesa. O governo local rejeita as reivindicações territoriais de Pequim e busca ampliar seu reconhecimento internacional.
A relação entre Washington e Pequim também sofre impacto de medidas adotadas pelo governo Trump em outras regiões. A captura, pelos Estados Unidos, do líder venezuelano Nicolás Maduro, aliado da China na América do Sul, foi seguida por tentativas americanas de impor sanções à comercialização de parte do petróleo bruto venezuelano, do qual a China é compradora relevante.
No Oriente Médio, Trump elevou a pressão sobre o Irã ao ameaçar aplicar tarifas a países que mantêm negócios com a república islâmica. A medida atinge diretamente a China, maior importadora global de petróleo iraniano, e adiciona um novo vetor à disputa estratégica entre as duas potências.
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