Ucrânia lança maior ataque de drones contra Rússia desde o início da guerra
A Ucrânia lançou nesta quinta-feira, 18, o maior ataque de drones contra a Rússia desde o início da invasão russa em fevereiro de 2022, há mais de quatro anos.
Pelo menos 194 drones foram interceptados na aproximação à Moscou, segundo o prefeito Sergei Sobyanin, número muito acima dos dias de ataques intensos registrados nos últimos meses, quando as interceptações costumavam ficar na casa das dezenas.
A capital ucraniana é alvo frequente de bombardeios russos, mas Moscou, a mais de 400 quilômetros da fronteira com a Ucrânia, costuma ser atingida com menos frequência.
O ataque integrou uma ofensiva mais ampla contra o território russo: as defesas aéreas russas afirmaram ter interceptado quase mil drones em diversas regiões do país, incluindo sobre o Mar de Azov. Pelo menos 17 pessoas, entre elas duas crianças, ficaram feridas no ataque a Moscou, segundo autoridades russas.
O alvo principal: a refinaria de Kapotnya
O principal alvo foi novamente a refinaria de petróleo de Moscou, localizada no distrito de Kapotnya, na zona sudeste da cidade — a cerca de 15 quilômetros do Kremlin. É a segunda vez na mesma semana que a unidade é atingida: um primeiro ataque, na terça-feira, 16, já havia forçado a suspensão das operações na planta, segundo fontes do setor ouvidas pela Reuters, danificando a unidade de processamento primário responsável por 53% da capacidade da refinaria.
Vídeos verificados por agências internacionais mostraram explosões na refinaria, controlada pela Gazprom Neft, subsidiária da estatal russa Gazprom. Um dos vídeos mostrou um projétil sendo lançado do solo contra os drones que se aproximavam da instalação, em meio a uma densa fumaça negra.
Dozens of drones punched through Russian air defenses overnight, reaching the Moscow Oil Refinery just 14 km from the Kremlin.
The facility supplies around 40% of the Moscow region’s petrol and 50% of its diesel fuel. pic.twitter.com/NOIhMreLZj
— KyivPost (@KyivPost) June 18, 2026
Segundo o Estado-Maior ucraniano, a refinaria de Kapotnya é responsável por mais de 38% do consumo de combustível na região de Moscou e abastece os aeroportos de Domodedovo, Vnukovo, Sheremetyevo e Zhukovsky com combustível de aviação — o que reforça, segundo Kiev, seu papel direto no esforço de guerra russo.
Sobyanin relatou ainda "danos menores" a um shopping center na região sudeste da cidade, enquanto o governador da região de Moscou, Andrei Vorobyov, afirmou que prédios residenciais nos arredores da capital também foram atingidos, incluindo um edifício de vários andares no distrito de Zhukovsky, cujos moradores precisaram ser retirados.
"Se a Ucrânia está em chamas, Moscou também estará"
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, classificou o ataque como uma resposta "totalmente justificada" ao bombardeio russo que, na esteira de outros ataques russos a patrimônios religiosos e culturais ucranianos, danificou nesta semana um mosteiro histórico de mil anos em Kiev, classificado pela Unesco como patrimônio mundial e que representa parte central da herança espiritual e cultural do país.
O ataque ao mosteiro, que matou dez pessoas, gerou condenação de líderes europeus; a Rússia nega ter atingido o local.
"Não queremos esta guerra e nunca quisemos — todo mundo sabe disso, e nossos parceiros sabem disso", disse Zelensky a jornalistas. "Mas se a Ucrânia está mergulhada em chamas, a sua Moscou também estará. Por isso enfatizamos novamente: é hora de acabar com a agressão, é hora de acabar com esta guerra."
Segundo o presidente ucraniano, entre os alvos da ofensiva também estava um depósito de combustível na região russa de Rostov, usado para apoiar a logística militar russa. O governador da região, Yuri Sliusar, afirmou que o ataque de drones na área matou uma pessoa e feriu outras duas, além de provocar incêndios em "duas instalações comerciais".
O contexto: ataques a refinarias se intensificam
A Ucrânia vem concentrando ataques de longo alcance contra refinarias de petróleo russas há meses, numa estratégia para reduzir as receitas do setor energético — fonte crucial de financiamento para o Exército russo, responsável por ao menos um terço da receita do orçamento estatal segundo analistas.
A campanha, que ganhou força após avanços recentes na capacidade dos drones ucranianos, já provocou danos generalizados à infraestrutura energética russa e ajudou a deflagrar uma crise de combustível concentrada na Crimeia ocupada.
O ataque desta quinta aconteceu horas antes de uma reunião dos ministros da Defesa da Otan em Bruxelas, na qual a segurança da Ucrânia estava entre os temas da agenda. Zelensky afirmou ter conversado com o presidente americano, Donald Trump, e com o presidente francês, Emmanuel Macron, à margem de uma reunião do G7 na França, numa "conversa de coordenação" para tentar encerrar a guerra. Trump disse na quarta-feira que a Rússia está perdendo mais soldados do que a Ucrânia no conflito, depois de sugerir que tanto o presidente russo, Vladimir Putin, quanto Zelensky pareciam abertos a algum tipo de avanço nas negociações.
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