Um relógio acessível da Audemars Piguet com a Swatch? O que se sabe até agora
O relógio mais comentado do ano ainda nem foi lançado. E nem se sabe se realmente existe. Mesmo assim, já domina fóruns de discussões, grupos de WhatsApp, páginas de Instagram e sites especializados em relojoaria.
O Royal Pop seria uma releitura em biocerâmica do Royal Oak, da Audemars Piguet, produzido agora em parceria com o grupo Swatch. Seria algo semelhante ao MoonSwatch, versão acessível do clássico Speedmaster Moonwatch da Omega, lançado em 2022. Até agora, o que se tem são teasers lançados pela Swatch em sua conta do Instagram.
O post mais recente foi publicado em collab com a Audemars Piguet. As peças trazem as palavras “Royal” e “Pop”, em uma identidade visual que muitos associaram imediatamente ao Royal Oak, um dos relógios mais icônicos do mundo, lançado em 1972 pela Audemars Piguet e desenhado por Gérald Genta. A imagem traz a data do lançamento: 16 de maio.
Um relógio de quartzo ou automático?
Outro ponto que ajudou a alimentar os rumores foi a informação de que a Swatch teria registrado a marca “Royal Pop” para relógios e joias ainda em 2024. Se verdadeiro, o registro indicaria que o projeto vem sendo planejado há algum tempo.
A principal aposta do mercado é que o relógio siga a lógica do MoonSwatch: um modelo acessível inspirado em um ícone da alta relojoaria. Nesse caso, o Royal Oak, um dos relógios esportivos de luxo mais reconhecidos do mundo e normalmente associado a preços acima de 30 mil euros.
As especulações vão além do design. Alguns apostam em um relógio de quartzo, repetindo a fórmula do MoonSwatch. Outros apostam em um movimento automático Sistem51, como ocorreu no Blancpain x Swatch Scuba Fifty Fathoms, a parceria seguinte ao MoonSwatch lançada pela Swatch.
Há também quem veja referências à antiga linha Pop Swatch nos teasers, especialmente por conta de imagens que parecem mostrar cordões coloridos em vez de pulseiras tradicionais. Por isso, há quem aposte no Royal Pop como um relógio de bolso.
Audemars Piguet em alta
Se confirmada, a parceria teria um peso diferente das anteriores. Omega e Blancpain pertencem ao Swatch Group. Uma parceria entre essas marcas, portanto, foi natural. Já a Audemars Piguet é uma marca independente de relojoaria.
A hipótese parecia improvável alguns anos atrás. A Audemars Piguet construiu sua imagem sobre exclusividade, produção limitada e posicionamento de alto luxo. O Royal Oak virou uma referência cultural no mercado de esportivos de luxo.
A Audemars Piguet não divulga números oficialmente, mas é a terceira marca suíça mais exportada do mundo, depois de Rolex e Cartier, segundo levantamento do Morgan Stanley com a consultoria LuxeConsult. Em 2025, a empresa teria faturado 2,6 bilhões de francos suíços, com a venda de 53.000 relógios.
É um crescimento em relação a 2024, quando a Audemars Piguet teria registrado vendas no total de 2,38 bilhões e 51.000 peças vendidas. Naquele ano, a empresa ficou na quarta posição, atrás também justamente da Omega.
A vantagem da parceria de agora para o Swatch Group é evidente e se traduz em vendas. Para a Audemars Piguet, pode ser uma forma de falar com novas gerações e futuros clientes. A marca tem feito coleções mais irreverentes, como as peças com motivo dos heróis da Marvel.
Até mesmo o sisudo mercado de relógios de luxo se rendeu às mudanças do mercado. Colaborações, lançamentos limitados e produtos desenhados para viralizar nas redes sociais passaram a fazer parte da estratégia de marcas que antes evitavam qualquer aproximação com a cultura de massa.
Modelo MoonSwatch: vendas iniciais foram o dobro das estimativas (Swatch/Divulgação)
O sucesso do MoonSwatch
Foi isso o que o MoonSwatch provou. O Omega x Swatch Bioceramic MoonSwatch foi lançado em março de 2022, justamente na semana do primeiro encontro presencial do Watches & Wonders, o maior salão de relojoaria do mundo, depois de dois anos de pandemia.
O relógio reinterpreta o Speedmaster Moonwatch, o primeiro relógio usado em uma missão tripulada à Lua, e logo se tornou o principal assunto nos corredores do Palexpo, onde acontece o Watches & Wonders.
A peça da Swatch com a Omega foi lançada em um material próprio chamado biocerâmica, em modelos coloridos e por menos de 300 euros, uma fração do preço do original. No início, poucas unidades foram colocadas à venda. O impacto foi imediato. Filas quilométricas se formaram nas lojas da Swatch ao redor do mundo.
O MoonSwatch ultrapassou rapidamente a bolha dos colecionadores. Passou a aparecer em publicações de moda, cultura, negócios e lifestyle. Celebridades começaram a usar o modelo, enquanto o relógio se espalhava pelas redes sociais em um formato mais próximo dos lançamentos de streetwear do que da relojoaria tradicional.
Os números ajudam a entender o tamanho do fenômeno. Segundo estimativas da consultoria LuxeConsult, cerca de 930 mil MoonSwatches foram vendidos no primeiro ano. Em 2023, o número teria saltado para 2 milhões de unidades. Em 2024, as vendas permaneceram em torno de 1,5 milhão de relógios.
Uma retomada para a Swatch?
A parceria agora pode ajudar o grupo Swatch a retomar as vendas. Em 2021, o grupo cresceu cerca de 30% em relação ao ano anterior, quando estouro a pandemia do coronavírus. O crescimento foi ainda maior em 2022 e 2023, quando o faturamento chegou a atingir 7,89 bilhões de euros. A partir de 2024, esse número começou a cair.
Nos fóruns especializados, circula uma teoria sobre a origem dessa estratégia da Swatch. Segundo relatos compartilhados por pessoas próximas ao mercado, a ideia original de uma colaboração em biocerâmica envolvendo o Royal Oak teria surgido anos atrás com François Bennahmias, ex-CEO da Audemars Piguet.
O projeto inicial não seria exatamente um produto comercial. A proposta era criar versões coloridas do Royal Oak em biocerâmica para serem usadas como “service watches”. Ou seja, clientes que deixassem seus relógios para revisão receberiam um desses modelos temporariamente e poderiam até ficar com ele depois. A ideia também incluiria distribuir peças como presentes para filhos de grandes clientes da marca.
A iniciativa teria recebido um sinal verde inicial de Nick Hayek, CEO do Swatch Group, mas depois foi colocada em pausa. Pouco depois, a Swatch lançou o MoonSwatch com a Omega.
Verdade ou não, parece que desta vez a versão acessível do Royal Oak está para sair. Mas só saberemos mesmo no próximo dia 16 de maio.
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