Um terço das cidades do Brasil terá alto risco de deslizamentos até 2030

Por Da redação, com agências 5 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Um terço das cidades do Brasil terá alto risco de deslizamentos até 2030

Um em cada cinco municípios brasileiros já apresenta risco alto ou muito alto de deslizamentos de terra. O dado faz parte do painel AdaptaBrasil, sistema do Ministério da Ciência e Tecnologia e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que monitora riscos climáticos no país.

Hoje, 1.041 cidades estão nessa condição. Desse total, 830 têm risco alto e 211 risco muito alto de deslizamentos.

As projeções indicam agravamento do cenário. Considerando os efeitos das mudanças climáticas e a ausência de novas medidas de adaptação, o número de municípios expostos pode chegar a cerca de 1.800 até 2030, o equivalente a aproximadamente um terço das cidades brasileiras.

Desastres expõem vulnerabilidade urbana

O tema voltou ao centro do debate após as chuvas que atingiram Juiz de Fora (MG) na semana passada. Segundo o levantamento do AdaptaBrasil, o município integra o grupo de cidades com risco alto de deslizamentos.

No episódio recente, 65 pessoas morreram em Juiz de Fora e sete em Ubá, cidade que também apresenta risco elevado para esse tipo de desastre.

No caso da cidade mineira, fatores como grande quantidade de moradias em áreas de risco e características da topografia local contribuem para o cenário de vulnerabilidade.

Desigualdade e geografia ampliam riscos

O painel do AdaptaBrasil identifica padrões regionais. Municípios com menor renda tendem a apresentar riscos maiores, o que explica por que Norte e Nordeste concentram proporções mais altas de cidades vulneráveis em comparação com o Sul.

A geografia também pesa. No Sudeste, por exemplo, a presença de serras próximas ao litoral na área de Mata Atlântica contribui para maior concentração de municípios em situação de risco.

Na média nacional, Sul e Centro-Oeste apresentam risco baixo, enquanto Sudeste, Norte e Nordeste têm risco médio para deslizamentos.

Projeções até 2050

As estimativas do sistema consideram modelos climatológicos internacionais e trabalham com dois cenários, definidos pelas projeções de emissão de CO₂.

As projeções levam em conta apenas o comportamento do clima, sem incluir mudanças socioeconômicas ou melhorias de infraestrutura nas cidades.

Plano nacional busca reforçar prevenção

O desastre em Juiz de Fora ocorreu três meses após a publicação do decreto que instituiu o Plano Nacional de Proteção e Defesa Civil (PNPDC).

O plano estabelece diretrizes para a próxima década com foco em prevenção, mitigação, preparação, resposta e reconstrução diante de desastres naturais. Entre as ações previstas estão:

Segundo o Ministério das Cidades, R$ 32,6 bilhões já foram destinados para mitigar impactos de eventos climáticos extremos desde 2023. Desse total, R$ 22,1 bilhões foram para obras de drenagem, R$ 4 bilhões para contenção de encostas e R$ 6,5 bilhões para fundos de apoio à infraestrutura.

Debate sobre prevenção volta à tona

Especialistas apontam que a combinação entre chuvas intensas e ocupação desordenada aumenta o risco de tragédias. Encostas ocupadas e moradias em áreas suscetíveis a deslizamentos já apareciam em mapeamentos anteriores em cidades como Juiz de Fora.

Entre as medidas consideradas prioritárias para reduzir mortes e prejuízos estão educação da população para situações de desastre, investimentos em infraestrutura urbana — especialmente drenagem — e maior integração entre diferentes áreas da administração pública no apoio à Defesa Civil.

*Com informações do Globo

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