Um terço das cidades do Brasil terá alto risco de deslizamentos até 2030
Um em cada cinco municípios brasileiros já apresenta risco alto ou muito alto de deslizamentos de terra. O dado faz parte do painel AdaptaBrasil, sistema do Ministério da Ciência e Tecnologia e do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que monitora riscos climáticos no país.
Hoje, 1.041 cidades estão nessa condição. Desse total, 830 têm risco alto e 211 risco muito alto de deslizamentos.
As projeções indicam agravamento do cenário. Considerando os efeitos das mudanças climáticas e a ausência de novas medidas de adaptação, o número de municípios expostos pode chegar a cerca de 1.800 até 2030, o equivalente a aproximadamente um terço das cidades brasileiras.
Desastres expõem vulnerabilidade urbana
O tema voltou ao centro do debate após as chuvas que atingiram Juiz de Fora (MG) na semana passada. Segundo o levantamento do AdaptaBrasil, o município integra o grupo de cidades com risco alto de deslizamentos.
No episódio recente, 65 pessoas morreram em Juiz de Fora e sete em Ubá, cidade que também apresenta risco elevado para esse tipo de desastre.
No caso da cidade mineira, fatores como grande quantidade de moradias em áreas de risco e características da topografia local contribuem para o cenário de vulnerabilidade.
Desigualdade e geografia ampliam riscos
O painel do AdaptaBrasil identifica padrões regionais. Municípios com menor renda tendem a apresentar riscos maiores, o que explica por que Norte e Nordeste concentram proporções mais altas de cidades vulneráveis em comparação com o Sul.
A geografia também pesa. No Sudeste, por exemplo, a presença de serras próximas ao litoral na área de Mata Atlântica contribui para maior concentração de municípios em situação de risco.
Na média nacional, Sul e Centro-Oeste apresentam risco baixo, enquanto Sudeste, Norte e Nordeste têm risco médio para deslizamentos.
Projeções até 2050
As estimativas do sistema consideram modelos climatológicos internacionais e trabalham com dois cenários, definidos pelas projeções de emissão de CO₂.
As projeções levam em conta apenas o comportamento do clima, sem incluir mudanças socioeconômicas ou melhorias de infraestrutura nas cidades.
Plano nacional busca reforçar prevenção
O desastre em Juiz de Fora ocorreu três meses após a publicação do decreto que instituiu o Plano Nacional de Proteção e Defesa Civil (PNPDC).
O plano estabelece diretrizes para a próxima década com foco em prevenção, mitigação, preparação, resposta e reconstrução diante de desastres naturais. Entre as ações previstas estão:
Segundo o Ministério das Cidades, R$ 32,6 bilhões já foram destinados para mitigar impactos de eventos climáticos extremos desde 2023. Desse total, R$ 22,1 bilhões foram para obras de drenagem, R$ 4 bilhões para contenção de encostas e R$ 6,5 bilhões para fundos de apoio à infraestrutura.
Debate sobre prevenção volta à tona
Especialistas apontam que a combinação entre chuvas intensas e ocupação desordenada aumenta o risco de tragédias. Encostas ocupadas e moradias em áreas suscetíveis a deslizamentos já apareciam em mapeamentos anteriores em cidades como Juiz de Fora.
Entre as medidas consideradas prioritárias para reduzir mortes e prejuízos estão educação da população para situações de desastre, investimentos em infraestrutura urbana — especialmente drenagem — e maior integração entre diferentes áreas da administração pública no apoio à Defesa Civil.
*Com informações do Globo
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