União Europeia diz que não aceitará novo aumento de tarifas dos EUA
A Comissão Europeia afirmou no domingo, 22, que os Estados Unidos devem cumprir integralmente o acordo comercial firmado com a União Europeia no ano passado e indicou que não aceitará aumentos adicionais de tarifas.
Em comunicado, o braço executivo do bloco cobrou “total clareza” de Washington sobre os próximos passos e reforçou que “um acordo é um acordo”.
A manifestação veio um dia depois de Trump elevar de 10% para 15% a tarifa global aplicada a produtos estrangeiros, medida anunciada após a Suprema Corte considerar ilegal a imposição das tarifas anteriores.
UE cobra respeito ao acordo de 2025
O acordo firmado no ano passado estabeleceu uma tarifa de 15% dos EUA para a maioria dos produtos europeus, com exceções para setores como aço e para itens com tarifa zero, como aeronaves e peças. Em troca, a União Europeia retirou ameaças de retaliação e reduziu tarifas sobre diversos produtos americanos.
A Comissão afirmou que produtos europeus “devem continuar a se beneficiar do tratamento mais competitivo, sem aumentos além do teto previamente acordado”. Também alertou que tarifas imprevisíveis são disruptivas e minam a confiança nos mercados globais.
Não está claro se a nova tarifa global de 15% substitui ou se se soma ao acordo firmado anteriormente. Caso o novo modelo prevaleça, isenções negociadas podem deixar de existir e as alíquotas podem ser aplicadas sobre tarifas já vigentes.
O comissário europeu de Comércio, Maros Sefcovic, discutiu o tema no sábado com o representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, e com o secretário de Comércio, Howard Lutnick.
O presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, afirmou que é “criticamente importante” que haja clareza por parte da administração americana.
EUA dizem que acordos seguem válidos
Autoridades americanas afirmaram que os acordos firmados com parceiros como União Europeia, China, Japão e Coreia do Sul continuam em vigor.
O representante de Comércio dos EUA, Jamieson Greer, disse à CBS, no programa Face the Nation, que os Estados Unidos “vão manter” os acordos e esperam que os parceiros façam o mesmo.
Em entrevista à ABC, no programa This Week, ele sinalizou ainda que os parceiros comerciais não devem contar com alívio tarifário com base na decisão da Suprema Corte.
A decisão da Suprema Corte
Na sexta-feira, 20, a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu, por 6 votos a 3, que as tarifas impostas com base na Lei de Poderes para Emergências Econômicas Internacionais (IEEPA) eram irregulares e que o presidente havia excedido sua autoridade.
Horas depois da decisão, Trump anunciou uma nova tarifa global de 10%, prevista para entrar em vigor no dia 24 de fevereiro.
No sábado, 21, ele disse que elevaria a alíquota para 15%, com base na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que permite impor tarifas por até 150 dias sem aprovação prévia do Congresso.
O presidente classificou a decisão da Suprema Corte como “ridícula, mal redigida e extraordinariamente antiamericana” e afirmou que adotará alternativas legais para manter sua política tarifária.
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