Uso da poupança recua, mas é ainda o lugar que brasileiro mais coloca dinheiro
A poupança segue como o principal destino do dinheiro do brasileiro, citada por 22% da população — o equivalente a pouco mais de dois em cada dez investidores, é o que mostra a 9ª edição do ‘Raio X do Investidor Brasileiro 2026’ da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) em parceria com o Datafolha.
Mas, apesar da liderança, o dado aponta uma perda gradual de espaço ao longo dos últimos anos, após ter alcançado patamares mais altos recentemente: 23% em 2021, 26% em 2022, 25% em 2023, 23% em 2024 e 22% em 2025.
Mesmo com rentabilidade inferior a alternativas atreladas ao CDI, a caderneta continua sendo o produto mais utilizado, refletindo a combinação de tradição, simplicidade e percepção de segurança. Ao mesmo tempo, o recuo na participação indica que parte dos investidores começa, ainda que lentamente, a buscar outras opções.
Essa mudança é mais visível entre os mais jovens e entre as classes de maior renda, onde a redução no uso da poupança é mais acentuada. Em paralelo, produtos como crédito privado (7%) e fundos de investimento (5%) começam a ganhar espaço, ainda que de forma tímida.
Somente um terço tem reserva financeira
Os números da perspectiva financeira do brasileiro, como um todo, ainda são desanimadores. O relatório mostra que um terço da população ainda não tem reserva financeira.
Dos que têm dinheiro guardado, 10% possui reserva para menos de uma semana, sendo o mesmo número que conseguem cobrir até um mês. Esse montante sobe para 12% de quem têm entre um e dois meses, e também de quem têm entre três a cinco meses.
O valor é “melhor” para quem têm entre seis meses e um ano (15%), mas cai drasticamente para quem possui reserva para um a dois anos (6%), e é menor ainda para cinco anos ou mais (3%). Especialistas consultados pela EXAME dizem que, o ideal, é que o investidor tenha reserva para cobrir pelo menos seis meses do nível de renda atual.
Os maiores afetados? As classes mais baixas: quase metade da população das classes D e E não tem reserva financeira – mas as classes A e B ainda entram no combo. Entre as gerações, a X, entre 45 e 64 anos, é a que menos tem reserva financeira (37%), enquanto os millenials, entre 30 e 44 anos, figuram em segundo (28%) e os boomers, com 65 ou mais, e a geração Z, entre 16 e 29 anos, aparecem como terceiro lugar (17%)
Quase três em cada 10 apostam em bets
A crescente preocupação com as casas de apostas parece agora estar refletida em números. Quase três em cada 10 dos brasileiros apostam em bets.
Esse valor é um crescimento em relação aos outros anos: 14% em 2023, 15% em 2024 e 17% em 2025. Entre quem aposta, a geração Z, entre 16 e 29 anos, se destoa (27%), enquanto os millenials, entre 30 e 44 anos, aparecem na sequência (22%), seguidos pela geração X (10%), entre 45 e 64 anos, e boomers (4%), com 65 anos ou mais.
Apesar disso, prevalece quem aposta raramente. “Aposta todos os dias” é somente 1% dos respondentes. Já na outra ponta, quem nunca apostou, se destaca os boomers, em que sete em cada 10 nunca apostaram, depois a geração X (66%), millenials (55%) e geração Z (50%).
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