Uzbequistão: o país da Rota da Seda que finalmente chega a um Mundial da FIFA
Duas décadas após ter erguido o troféu da Copa do Mundo como capitão da Itália, o renomado Fabio Cannavaro retorna aos gramados à frente de uma equipe inusitada: a seleção do Uzbequistão, um país na Ásia Central que se qualifica pela primeira vez para o torneio.
“É a primeira vez que vamos à Copa do Mundo, é a primeira vez que treino em um torneio desse porte”, disse Cannavaro ao jornal Euronews em entrevista. Vi muitos jogadores com grande ambição. Eles querem aprender, melhorar, trabalhar duro e, claro, não temos nada a perder.”
Para o país, com uma população de 36 milhões de habitantes, a qualificação é um marco histórico que vem após décadas de tentativas frustradas, algumas das quais, por pouco, não deram certo. O grupo do Uzbequistão — grupo K — é difícil, e o país enfrenta a República Democrática do Congo, com muitos jogadores na Premier League e na Liga 1, a melhor liga francesa, a Colômbia, com James Rodríguez e Luís Díaz, e Portugal, de Cristiano Ronaldo.
O treinador realça a dificuldade do grupo, pois considera a Colômbia e Portugal entre as 20 melhores seleções do mundo. Mas Cannavaro acredita que a imprevisibilidade da Copa do Mundo é o que torna qualquer um capaz de enfrentar os gigantes: "Na Copa, você não pode dizer com certeza que um time é mais forte do que o outro, porque é a Copa do Mundo."
Mata-gigantes
Além disso, os jogadores da equipe já provaram seu valor nos gramados de algumas das maiores ligas do mundo. O maior exemplo é o zagueiro Abdukodir Khusanov, avaliado pela Transfermarkt, que rastreia os valores de atletas, em US$ 41 milhões (cerca de R$ 207 milhões). Khusanov joga pelo time inglês Manchester City e é o primeiro uzbeque a jogar na Premier League, a principal divisão do futebol inglês.
Enquanto isso, o meio-campista Otabek Shukurov joga na Pro League dos Emirados Árabes Unidos (EAU), considerada o nível mais alto do futebol profissional dos Emirados. Ao lado dele, a seleção também conta com o atacante Abbosbek Fayzullaev e o centroavante Eldor Shomurodov — o maior artilheiro da história do Uzbequistão e ex-jogador do time italiano Roma — que jogam juntos nas principais ligas turcas.
E a equipe não tem medo nos gramados: no ano passado, ganhou a Copa Asiática, vencendo a Arábia Saudita na final com apenas 9 jogadores em campo. Dentro da equipe, o clima é de tensão, competição e confiança, enquanto todos os jogadores se esforçam ao máximo para garantir um lugar merecido no time titular.
O meio-campista Umarali Rahmonaliyev, que atua no Azerbaijão, afirmou que a competição interna está mais acirrada do que nunca, com todos os jogadores determinados a garantir uma vaga na seleção final. “A competição sempre existiu, mas, às vésperas da Copa do Mundo, ela se intensificou ainda mais”, disse ele, também à Euronews.
Mas, afinal, como é o Uzbequistão?
O Uzbequistão é um país sem acesso ao oceano, e faz fronteira com outros cinco países também sem acesso ao mar, sendo esses o Cazaquistão, o Quirguistão, o Tajiquistão, o Afeganistão e o Turcomenistão. Sua capital e maior cidade é Tashkent, e a religião oficial é o islã. Na antiguidade, a região chegou inclusive a ser conquistada pelo comandante e rei da Macedônia, Alexandre o Grande, em sua lendária campanha pela Ásia Menor.
Todavia, o país é famoso por ter sido um dos principais centros comerciais da Rota da Seda, uma rota de mercadorias que conectava a China ao Mediterrâneo. A cidade de Samarcanda, em específico, situada no leste do Uzbequistão — diretamente no percurso da Rota da Seda — era o coração comercial e espiritual da jornada e tornou-se uma cidade incrivelmente rica e uma das maiores da época, conhecida como "A Jóia da Rota da Seda".
Foi conquistada por Alexandre o Grande em 329 a.C. e, sob ocupação grega, ficou conhecida como Markanda. Séculos depois, em 1220, outro grande general e imperador da história, dessa vez o mongol Gengis Khan, também conquistou a cidade e, desde o século XI, ela esteve sob controle de grupos túrquicos e, eventualmente, uzbeques, mas a cultura e a língua dominantes na cidade, durante todo esse tempo, foram o persa.
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