Vale quer acelerar expansão em cobre sem abrir mão de disciplina financeira

Por Mitchel Diniz 14 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Vale quer acelerar expansão em cobre sem abrir mão de disciplina financeira

A Vale (VALE3) está contida em investimentos e tem uma meta de manter esses desembolsos abaixo dos US$ 6 bilhões por ano. Mas isso não significa que a companhia esteja necessariamente pisando no freio, principalmente em relação a uma frente que hoje é estratégica para a companhia: a produção de cobre.

"Para bons projetos a gente sempre vai encontrar recursos para fazer, porque a companhia quer crescer e investir", afirmou Gustavo Pimenta, CEO da Vale, na coletiva de imprensa sobre os resultados do quarto trimestre de 2025.

O executivo afirmou que a companhia "adoraria" acelerar a pauta de investimento em cobre.

"A gente tem escala e consegue imediatamente avançar e trazer projetos para a operação o mais rápido possível. Cobre é o metal de transição energética, da eletrificação do mundo, dos data centers, da IA. Tudo isso passa, necessariamente, para um enorme aumento da produção de cobre", disse.

A divisão de Metais Básicos (VBM) da Vale alcançou Ebitda de US$ 1,4 bilhão no trimestre passado, ficando 72% acima do que estimava o BTG Pactual (do mesmo grupo de controla da EXAME).

A leitura dos analistas do banco é que a crescente exposição ao cobre começa a ganhar peso relevante na tese de investimento da mineradora, a ponto de colocar em xeque o desconto histórico sobre os múltiplos da Vale, especialmente quando comparada a produtoras globais de cobre negociadas a patamares mais elevados.

No ano passado, a produção da Vale cresceu 10%, para 382 mil toneladas métricas de cobre, volume que está longe do produzido pelas maiores produtoras globais do metal. E é uma pequena fração do que a companhia produziu de minério de ferro no mesmo período: 336 milhões de toneladas.

A companhia vai investir R$ 70 bilhões até 2030 no projeto Novo Carajás, no Pará, para expandir a produção de ferro e cobre.

Balanço da Vale no 4º trimestre

A Vale (VALE3) registrou prejuízo líquido atribuído aos acionistas de US$ 3,8 bilhões no quarto trimestre de 2025. O resultado conta com os efeitos de uma baixa contábil (impairment) de US$ 3,4 bilhões referentes aos ativos de níquel da companhia no Canadá. Além disso, a linha final do balanço foi impactada por efeito tributário da ordem de US$ 2,8 bilhões.

Excluindo esses efeitos não recorrentes, a mineradora teria apresentado lucro líquido de US$ 1,464 bilhão, alta de 68% na comparação anual e queda de 47% em bases trimestrais. O lucro proveniente das operações da companhia (Ebitda) foi de US$ 4,834 bilhões, com alta anual de 17%.

A receita líquida de vendas da Vale cresceu 9% nessa mesma base de comparação, para US$ 11,06 bilhões.

Em volume, as vendas de minério de ferro aumentaram 5% de um ano para o outro enquanto os volumes vendidos de cobre e níquel, respectivamente, cresceram 8% e 5%.

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