Vaticano autoriza católicos a receber transplantes de órgãos de animais
O Vaticano comunicou, nessa terça 24, que fiéis católicos podem receber transplantes de órgãos animais geneticamente modificados, como de porcos e vacas, conforme tecnologias médicas avançam e tornam transplantes que podem salvar vidas cada vez mais acessíveis.
Em um documento de 88 páginas, a Santa Sé detalha guias éticos para os transplantes, e reafirma ensinamentos da Igreja, reiterando que não há objeção teológica para esse tipo de tratamento, dado que os animais não sejam tratados com crueldade e que as melhores práticas médicas sejam seguidas à risca. Afinal, o ensinamento central do catolicismo é a celebração da vida.
"A teologia católica não impõe impedimentos, com base religiosa ou ritual, ao uso de qualquer animal como fonte de órgãos, tecidos ou células para transplante em seres humanos", diz o documento.
O texto foi feito com a ajuda de médicos italianos, holandeses e americanos e instou cientistas a buscar transplantes de maneira “com propósito, proporcional e sustentável”. O documento também pede aos médicos que sempre detalhem os riscos associados ao procedimento, como a possibilidade de rejeição pelo sistema imunológico de pacientes e de infecções por microrganismos.
O Vaticano originalmente aprovou os transplantes em 2001, enquanto essa prática ainda estava nos primeiros estágios de desenvolvimento. Todavia, esses transplantes entre espécies, chamados de xenotransplantes, ainda são raros. O primeiro caso bem-sucedido aconteceu nos EUA somente em 2024, quando um homem de 62 anos recebeu um órgão suíno geneticamente modificado.
E outros procedimentos médicos?
Ainda assim, no mesmo ano, o Vaticano declarou, em um documento de 20 páginas intitulado Dignitas Infinita (Dignidade infinita), que operações de mudança de sexo são “graves ameaças” à dignidade humana, colocando-as no mesmo nível de abortos e eutanásia, como práticas que violam o plano de Deus para a vida humana.
Após anos de intensa revisão e alteração, o documento foi publicado em 2024 pelo então Papa Francisco, e distingue entre cirurgias de mudança de gênero – as quais rejeita totalmente – e “anomalias genitais”, problemas genéticos que podem estar presentes no nascimento ou se desenvolver ao longo da vida.
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