'Velocidade sem estratégia leva ao acidente': as 7 lições que o CEO da Vulcabras trouxe das pistas
Antes de comandar a Vulcabras, uma companhia que hoje fatura mais de R$ 4 bilhões por ano, Pedro Bartelle se acostumou a outro tipo de pressão: a de entrar em um carro de corrida sabendo que uma decisão errada poderia custar uma prova inteira.
Aos 14 anos, o presidente da Vulcabras começou no automobilismo e passou quase uma década competindo em categorias como Kart, Fórmula Ford, Fórmula Chevrolet e Fórmula 3.
Em 1995, conquistou o título da Fórmula Chevrolet. Anos depois, trocou os autódromos pelas salas de reunião e liderou a recuperação da Vulcabras, que saiu de uma das maiores crises de sua história para acumular mais de 20 trimestres consecutivos de crescimento.
Para Bartelle, a distância entre uma pista de corrida e uma empresa bilionária é menor do que parece. Pressão, risco, estratégia e capacidade de reação fazem parte dos dois mundos.
"Os negócios e o automobilismo têm muito em comum", diz o presidente em entrevista ao podcast “De frente com CEO”, da EXAME.
Ao longo da carreira, o executivo transformou aprendizados das pistas em princípios de gestão.
Estas são as 7 lições que Bartelle levou do automobilismo para os negócios:
1. Criar cenários antes das crises
No automobilismo, um piloto não espera o acidente acontecer para decidir como agir. Ele treina possibilidades.
Segundo Bartelle, o mesmo vale para as empresas.
“É preciso imaginar diferentes cenários econômicos, mudanças de mercado e até eventos inesperados para que a reação seja rápida quando os problemas aparecem”, afirma o CEO.
Essa visão foi fundamental durante o turnaround da Vulcabras e na pandemia.
2. Velocidade sem estratégia leva ao acidente
Em uma corrida, acelerar na hora errada pode custar a prova.
Nos negócios, crescer sem disciplina financeira pode ter o mesmo efeito.
Quando assumiu a Vulcabras, em 2015, a empresa vinha de anos difíceis. A estratégia foi priorizar eficiência, governança e foco em poucas marcas, em vez de buscar crescimento a qualquer custo. O resultado foi uma recuperação que transformou a companhia em uma das maiores do setor esportivo do país.
"Não adianta querer fazer tudo. Escolhemos poucas marcas e decidimos fazer muito bem feito”, afirma Bartelle.
3. Quem vence é quem se adapta
Nas pistas, as condições mudam o tempo todo. Pneus, clima, adversários e estratégia exigem ajustes constantes.
Para Bartelle, essa capacidade de adaptação é mais importante do que tentar prever tudo.
Uma das referências do executivo é o livro Antifrágil, de Nassim Taleb, sobre empresas e pessoas que conseguem se fortalecer em meio ao caos.
"Eu gosto muito do conceito de antifragilidade. Não basta resistir às crises, é preciso sair delas mais forte”, afirma.
Pedro Bartelle, CEO da Vulcabras: "Ninguém é insubstituível; o insubstituível é o primeiro que precisa sair" (Leandro Fonseca /Exame)
4. Assumir riscos faz parte do jogo
"O risco faz parte tanto do esporte quanto dos negócios", afirma o executivo.
Mas o risco, segundo ele, precisa ser calculado.
Essa filosofia ajudou a empresa a investir em inovação, ampliar a atuação no mercado esportivo e fortalecer a Olympikus em um segmento dominado por gigantes globais: a corrida.
5. O líder não pode ser o "insubstituível"
Uma frase repetida por Bartelle resume sua visão sobre liderança.
"Ninguém é insubstituível; o insubstituível é o primeiro que precisa sair."
A ideia é que empresas fortes dependem de processos e equipes, e não de uma única pessoa. Por isso, o CEO defende sucessão, delegação e governança como pilares da longevidade dos negócios.
6. Competir é importante, mas aprender é ainda mais
Mesmo após décadas no automobilismo e nos negócios, Bartelle mantém o espírito de aprendiz.
Sua trajetória começou longe da empresa da família. Antes de assumir cargos executivos, abriu lojas da Reebok por conta própria e chegou a operar na Argentina durante a crise econômica do país.
Essa experiência, segundo ele, foi importante para entender que liderança não se constrói apenas com talento, mas também com resiliência.
"Ninguém sabe tudo. O importante é ter curiosidade e continuar aprendendo”, diz. "A experiência é construída errando, acertando e tendo humildade para aprender."
7. Grandes vitórias são construídas no longo prazo
Corridas não são vencidas apenas na largada. Nos negócios, a lógica é parecida.
Bartelle assumiu a Vulcabras em 2015, em meio a uma reestruturação. Uma década depois, a companhia acumula resultados recordes, mais de R$ 4 bilhões em receita anual e presença consolidada no mercado esportivo brasileiro.
“Não existe atalho. Assim como nas pistas, consistência costuma ser mais importante do que velocidade”, afirma.
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