Via Araucária prevê R$ 15 bilhões em obras no Paraná até 2033

Por Letícia Cassiano 28 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Via Araucária prevê R$ 15 bilhões em obras no Paraná até 2033

A Via Araucária, concessionária controlada pela plataforma de rodovias da Pátria Investimentos, prevê investir cerca de R$ 15 bilhões em obras e ampliação de infraestrutura ao longo dos próximos sete anos.

Para Pedro Veloso, diretor de engenharia da companhia, o maior desafio do ciclo de obras não é apenas construir.

“Esse ritmo de entrega é o maior vilão, porque não é só ir lá e fazer as obras”, afirmou ao EXAME Infra.

O pacote faz parte do novo ciclo de concessões rodoviárias do Paraná e envolve centenas de quilômetros de duplicações, novos dispositivos viários e intervenções em corredores estratégicos para o agronegócio e a logística paranaense.

Segundo Veloso, a concessionária precisa equilibrar cronogramas apertados, licenciamentos ambientais, desapropriações, contratação de fornecedores e a pressão da população por entregas rápidas após décadas de críticas ao modelo de pedágio no estado.

“O Capex on time and budget é um dos maiores fatores de risco das concessões atuais. Quase todas as concessões das últimas rodadas têm um Capex relevante e ali está um dos maiores riscos”, afirmou.

A Via Araucária é responsável pelos lotes 1 e 5 do novo pacote de concessões rodoviárias do Paraná, e concentra algumas das principais obras previstas para a infraestrutura logística do estado. De acordo com Veloso, o pacote total de investimentos da concessionária prevê cerca de 340 quilômetros de duplicações em apenas cinco anos.

Um dos principais projetos é a duplicação de 17 quilômetros do Contorno Norte de Curitiba, trecho que atualmente opera em pista simples e concentra elevado número de acidentes, sendo conhecido popularmente como “contorno da morte".

Segundo o executivo, esta obra já atingiu cerca de 70% de execução da terraplenagem, com previsão de entrega para fevereiro do próximo ano.

Além do Contorno Norte, a concessionária também iniciou a implantação de terceiras e quartas faixas em pontos estratégicos da BR-277, considerada uma das principais demandas logísticas do Paraná. O trecho liga Curitiba ao interior do estado e ao Porto de Paranaguá, corredor fundamental para o agronegócio.

Via Campo terá mais R$ 7 bilhões em investimentos

Além da Via Araucária, o grupo também assumiu recentemente a operação da Via Campo, concessão voltada principalmente ao interior agrícola do Paraná.

Segundo Veloso, a nova concessionária terá aproximadamente R$ 7 bilhões em investimentos até 2033, com foco em duplicações, implantação de aproximadamente 80 novos dispositivos e a construção do contorno de Guaíra.

O executivo afirmou que a concessão foi desenhada para atender uma das regiões mais ligadas ao agronegócio no estado.

“A Via Campo é muito voltada para o agro. O nome vem justamente do campo, das lavouras e da lida do campo”, afirmou.

Segundo ele, uma das obras mais complexas será justamente o contorno de Guaíra, que exigirá licenciamento ambiental mais delicado por tangenciar uma terra indígena.

Somadas, Via Araucária e Via Campo terão aproximadamente 1 mil quilômetros de rodovias concedidas e cerca de 600 quilômetros de duplicações previstas até 2033.

Mão de obra, burocracia e limitações técnicas

Apesar do avanço das obras, Veloso destacou que o cenário atual da infraestrutura brasileira impõe obstáculos inéditos para as concessionárias. Entre os principais problemas estão a escassez de mão de obra qualificada e a dificuldade de acelerar processos burocráticos em um momento de explosão de leilões rodoviários no país.

“A infraestrutura é precária e a oferta de mão de obra no setor também é. A gente chega hoje num ponto em que um dos grandes desafios para viabilizar essa infraestrutura é a mão de obra em todos os níveis”, afirmou.

O executivo também apontou limitações históricas da construção civil brasileira em relação à produtividade e à inovação tecnológica.

“A construção civil historicamente tem uma inovação menos acelerada do que outras áreas. A gente não consegue imaginar hoje uma obra que vai consumir mil ou duas mil pessoas automatizada daqui cinco anos”, disse.

Segundo ele, além da engenharia propriamente dita, a concessionária precisa lidar com uma série de fatores paralelos para conseguir cumprir o cronograma previsto em contrato.

“Você precisa alinhar expectativa com stakeholders. Tem produtor agrícola habituado há 70 anos a cruzar máquina na rodovia e agora não vai mais conseguir fazer isso da mesma forma”, afirmou.

Comentários

Deixe seu comentário abaixo: