Visto negado, dinheiro de volta: empresa usa IA para dividir risco da imigração

Por Laura Pancini 28 de Fevereiro de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Visto negado, dinheiro de volta: empresa usa IA para dividir risco da imigração

A empresa brasileira Jumpstart agora vai reembolsar 100% de quem tiver visto ou green card negado — incluindo as taxas do governo americano.

Hoje, um processo para o visto O-1, voltado a profissionais e empreendedores com trajetória considerada “extraordinária”, pode sair por até US$ 30 mil em escritórios tradicionais de advocacia.

Se o pedido é negado, o imigrante arca sozinho com o prejuízo — mesmo quando a recusa vem de critérios subjetivos ou mudanças de interpretação das autoridades.

A Jumpstart, que já trabalhava com modelo de remuneração baseado em sucesso e reembolsava 50% do valor em caso de negativa, decidiu ampliar a política: agora, devolve 100% do montante pago, incluindo as taxas cobradas pelo próprio governo americano.

Na prática, isso significa que a empresa só ganha se o visto ou green card for aprovado. Vale ressaltar que a Jumpstart foca em vistos para trabalhar nos EUA e, portanto, tem como clientes-alvo fundadores de empresas, engenheiros, pesquisadores acadêmicos, etc.

Como funciona?

Segundo a Jumpstart, a mudança é possível porque a operação é construída sobre uma camada de tecnologia: a assessoria combina dados proprietários, modelos estatísticos e inteligência artificial que se atualiza diariamente com informações do Departamento de Imigração dos EUA e com o histórico dos próprios casos atendidos, servindo de base para a revisão jurídica feita por especialistas.

O resultado, diz a empresa, é um processo mais barato — com valores até 50% menores do que os cobrados por escritórios tradicionais — e desenhado para minimizar apostas em pedidos sem real chance de aprovação.

Desde o lançamento, mais de 1.250 pessoas já usaram os serviços da Jumpstart, que atingiu a marca de R$ 10 milhões em receita anualizada e captou R$ 2,8 milhões em rodada pré-seed, com anjos como Brian Requarth (Latitud) e Matthew Allan, ex-diretor de crédito de PayPal e Google.

O que a Jumpstart faz?

Em vez de apenas preparar documentos, a Jumpstart usa a camada de dados para apontar, com mais clareza, se o perfil do cliente realmente se encaixa em determinada categoria — ou se seria mais prudente buscar outro caminho, ou simplesmente não aplicar.

“Eu passei por três processos de imigração e todos foram complicados. Não importa o quanto você se qualifique, sempre há entraves e os custos são altos. Minha experiência me motivou a criar uma solução que simplificasse essa jornada para outros brasileiros”, explica Fabiano Rocha, CEO da Jumpstart.

O fundador conta que, mesmo com uma formação sólida no ITA e experiência no MIT, enfrentou dificuldades em processos de imigração, como o cancelamento de sua bolsa do Ciência sem Fronteiras e a comprovação de renda para imigração no Canadá.

Como funciona a ‘IA do visto’?

A plataforma coleta e atualiza diariamente informações públicas do órgão de imigração dos EUA, cruza com o histórico de casos atendidos pela própria empresa e usa modelos estatísticos e de machine learning para mapear quais combinações de perfil, documentos e estratégia têm maior probabilidade de dar certo em cada categoria de visto.

Essas recomendações não substituem o trabalho jurídico: funcionam como ponto de partida. Advogados especializados revisam a estratégia sugerida pela tecnologia, ajudam a interpretar zonas cinzentas da legislação e ajustam o caminho para cada caso concreto.

Segundo a Jumpstart, isso ajuda a reduzir o tempo gasto em tarefas repetitivas, concentrar atenção em pontos realmente sensíveis do processo e, principalmente, evitar que o cliente seja levado a aplicar para algo que não faz sentido para o seu histórico profissional.

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