Vizinho do Irã terá pior queda do PIB em 2026, entenda as razões

Por Matheus Gonçalves 15 de Abril de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Vizinho do Irã terá pior queda do PIB em 2026, entenda as razões

O novo relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI), publicado nessa terça-feira, 14, traz as previsões do órgão para a economia global em diversos setores. Em termos de mudanças projetadas no PIB, a economia do Iraque verá uma redução de 6,8% esse ano, estima o FMI. É a maior do mundo entre as analisadas.

A contração é ainda maior do que a prevista para o Irã, país fronteiriço ao Iraque e assolado pela guerra contra os EUA e Israel, cuja perda prevista é a segunda maior, de 6,1% em 2026.

O relatório indica que o conflito afeta países como o Iraque desproporcionalmente, devido a fatores como uma queda drástica na produção de commodities, danos à infraestrutura de energia e transporte, dependência do Estreito de Ormuz, cuja disponibilidade segue incerta, e falta de acesso a rotas de exportação alternativas.

Apesar do cenário ruim este ano, o relatório prevê uma recuperação de 11,3% do PIB iraquiano em 2027. Mesmo assim, o FMI reitera que essa suposição de melhoria ainda é volátil e dependerá do andamento das negociações de paz, da duração do conflito e de uma reavaliação dos danos infligidos à infraestrutura desses países.

Milícias no Iraque

Um ponto importante que conecta o Iraque à guerra no Irã, afetando sua economia, é a presença de grupos paramilitares patrocinados pelo país vizinho – chamados de proxies – que são leais às causas iranianas.

Da mesma maneira como o Hezbollah representa os interesses do Irã no Líbano, levando a incursões israelenses, e os Houthis no Iêmen, o Iraque também abriga proxies significativos. O conjunto desses grupos pró-Irã, espalhados por outros países, é chamado de “eixo de resistência”.

Em Bagdá, a capital do Iraque, esses grupos assumem a forma de certas facções bem estabelecidas dentro das Forças de Mobilização Popular  (PMF, na sigla em inglês), tropas paramilitares leais ao Irã. Essas facções conduziram extensos ataques a alvos que o grupo considera ligados aos EUA e a Israel por todo o Golfo Pérsico, epicentro do conflito, independentemente dos interesses do resto das PMF e até do próprio Estado iraquiano.

Como resultado, a participação iraquiana no conflito já soma a mais de 500 ataques, conduzidos tanto dentro do Iraque (sejam ataques retaliatórios dos EUA e de Israel contra a liderança dessas facções do PMF, ou ataques terroristas dentro do próprio país contra prédios americanos, como embaixadas, ou infraestrutura civil, como hotéis, por uma miríade de facções) quanto do Iraque para o Golfo, alvejando os inimigos do Irã, apura artigo do think tank Foreign Policy Research Institute (FPRI).

O efeito dessa violência não só afunda o Iraque cada vez mais em uma guerra fora de suas fronteiras, como também prejudica drasticamente sua economia, já afetada desproporcionalmente pela guerra.

Além disso, os danos causados no país por ataques retaliatórios e pelos próprios iraquianos, divididos por suas lealdades nessa guerra, danificam infraestruturas fundamentais às cadeias de produção e exportação do Iraque, coluna vertebral de seu funcionamento econômico, agravando ainda mais as perspectivas de recuperação.

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