Volume negociado em exchanges descentralizadas na Solana cai 82%

Por BeInCrypto 4 de Junho de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Volume negociado em exchanges descentralizadas na Solana cai 82%

A Solana apresenta dois sinais de fragilidade on-chain em um intervalo de duas semanas: o volume semanal negociado em exchanges descentralizadas (DEX) caiu cerca de 82% e um importante grupo de investidores começou a reduzir sua participação no mesmo período. Dados da Dune e da Glassnode alinham os eventos quase na mesma semana, com as launchpads de memecoin no centro da situação.

O momento é o principal ponto da análise. Veja como os fatos se conectam.

Volume da Solana em DEXs por Protocolo: Dune

A retração foi expressiva e recente. Segundo dados da Dune, o volume negociado semanalmente em DEXs nos protocolos Solana estava próximo de US$ 104,3 bilhões na semana de 11 de maio, com a DEX Meteora sozinha respondendo por cerca de US$ 93,1 bilhões. Duas semanas depois, na semana de 25 de maio, o volume total semanal havia caído para aproximadamente US$ 18,8 bilhões, sendo a Meteora responsável por US$ 9,2 bilhões.

Isso representa uma queda de cerca de 82% em duas semanas, afetando principalmente o maior protocolo.

A Meteora perdeu mais de US$ 80 bilhões em volume semanal. O recuo é amplo e não isolado, indicando a diminuição do fluxo especulativo que antes caracterizava as negociações em Solana.

O movimento prolonga uma tendência de baixa mais extensa, já que o volume das DEXs na rede caiu mais de 50% desde janeiro. Resta saber o que esvaziou o fluxo e quem reagiu a essa mudança.

Launchpads de memecoin perderam força

O motivo está nas memecoins. O volume em DEXs da Solana há tempos depende de um ciclo em que launchpads lançam novas memecoins, traders correm atrás desses ativos e as DEXs processam a movimentação. Essa engrenagem, que chegou a rivalizar com o Ethereum, agora encontra obstáculos.

Dados on-chain apontam que o número de lançamentos de memecoins praticamente foi reduzido pela metade no início de 2026. A desaceleração dos launchpads e a diminuição da oferta de novos tokens para negociação são visíveis. Com menos temas para atrair especuladores, o volume que inflava as DEXs ficou sem novos estímulos. A receita dos bots de negociação provavelmente acompanhou essa retração.

Os dados da Meteora deixam a relação evidente. Um protocolo focado em memecoins e movimentação de lançamentos não perde mais de US$ 80 bilhões em volume semanal apenas com uma queda geral do mercado.

O volume recua quando cessam os lançamentos que impulsionam as negociações. O colapso no volume das DEXs é, na essência, um colapso na especulação em memecoins, e o momento desse movimento tem impacto sobre o que ocorre em seguida.

A sobreposição: grupo relevante passou a vender

É nesse ponto que os dois conjuntos de dados convergem. Segundo o HODL Waves da Glassnode, métrica que agrupa o suprimento conforme o tempo em que as moedas permanecem inativas, o grupo de 1 a 2 anos detinha 16,049% do suprimento de SOL em 21 de maio. Em 1 de junho, essa participação havia diminuído para cerca de 15%.

Essa redução começou em 21 de maio, justamente no intervalo entre 11 e 25 de maio, período em que o volume das DEXs desabou. Os dois sinais on-chain mudaram quase simultaneamente. Esse grupo concentra moedas adquiridas durante o ciclo de alta da Solana entre 2024 e 2025.

Foi o mesmo período impulsionado pelo volume em memecoins que agora dá sinais de esgotamento.

Os dados não comprovam que a queda no volume forçou a saída do grupo, nem este texto afirma que houve uma relação causal. O que mostram é uma coincidência clara no cronograma. Quando a atividade que sustentava a economia de negociação na Solana diminuiu, parte dos investidores que mantiveram posições nesse período começou a se desfazer dos ativos no mesmo momento.

Se a queda no volume das DEXs é o gatilho ou apenas um reflexo paralelo, os dois fatores agora se misturam. E é essa questão que as próximas semanas da Solana vão responder.

*Matéria original escrita por Lucas Espindola no BeinCrypto, portal parceiro da EXAME.

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