Vontade de doce? A 'culpa' pode ser das bactérias do seu intestino
Os microrganismos que vivem no intestino humano podem influenciar mais do que a digestão. Pesquisas sugerem que essas bactérias também podem afetar as preferências alimentares, modulando o apetite e até os desejos por determinados tipos de comida.
O microbioma intestinal reúne mais de 3 mil espécies de bactérias e já é conhecido por atuar na digestão e no sistema imunológico. A hipótese mais recente é que ele também participe da comunicação entre o intestino e o cérebro.
Influência do microbioma no comportamento alimentar
Um estudo publicado na revista BioEssays propôs que bactérias intestinais podem interferir no comportamento alimentar.
Segundo os autores, esses microrganismos poderiam estimular o consumo de alimentos que favorecem sua própria sobrevivência ou ainda gerar desconforto até que o organismo receba os nutrientes desejados.
Uma das explicações envolve a produção de substâncias que atuam como neurotransmissores. As bactérias intestinais são capazes de produzir compostos semelhantes aos utilizados pelo cérebro para regular o apetite, como a serotonina, relacionada à sensação de saciedade.
Cerca de 90% da serotonina do corpo é produzida no intestino, e o microbioma participa diretamente desse processo.
Evidências experimentais em estudos com animais
Pesquisas experimentais testaram essa hipótese em laboratório. Em um estudo com roedores, microbiomas de animais com dietas diferentes foram transferidos para camundongos sem bactérias intestinais.
Após o procedimento, os animais passaram a apresentar preferências alimentares distintas, indicando que o microbioma pode influenciar escolhas relacionadas à dieta.
Apesar disso, os cientistas destacam que os resultados não podem ser aplicados diretamente aos humanos, já que o comportamento alimentar envolve fatores mais complexos.
Relação entre microbioma e consumo de açúcar
Um estudo publicado na revista Nature Microbiology identificou que uma bactéria intestinal pode reduzir o desejo por açúcar. Nos testes, o microrganismo estimulou a produção do hormônio ligado ao controle do apetite, o mesmo alvo de medicamentos usados no tratamento de diabetes.
Os pesquisadores também observaram que pessoas com diabetes tipo 2 apresentavam níveis mais baixos dessa bactéria.
Limites da influência do microbioma nas escolhas alimentares
Apesar das evidências, especialistas afirmam que o microbioma não determina sozinho o que uma pessoa come. Embora possa influenciar sinais internos ligados ao apetite, fatores como cultura, hábitos, ambiente e comportamento têm papel central nas escolhas alimentares.
Por isso, o comportamento alimentar humano resulta da interação entre aspectos biológicos e sociais.
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