Voos nacionais estão mais caros na baixa temporada do que no Carnaval
No Brasil, o verão é a época em que a demanda pela infraestrutura turística mais cresce. Por esse motivo, em geral, os preços da hotelaria, de viagens de ônibus e de voos tendem a crescer no país nos meses de dezembro, janeiro e fevereiro.
Apesar disso, dados do serviço de viagens Kayak mostram que passagens aéreas têm se tornado mais caras desde o início de março, justamente o momento em que começa a baixa temporada.
Tendências de preços de voos domésticos
Comparando os anos de 2025 e 2026, no geral, voos domésticos estavam mais baratos durante a alta temporada deste ano. Um destaque é o período de Carnaval, em que a tendência de preço caiu significativamente em 2026.
No entanto, desde o fim de fevereiro, a tendência de alta nos preços fez as médias semanais de março de 2026 superarem a do ano anterior. É uma inversão da tendência de 2025, em que os preços baixavam ao longo dos três primeiros meses do ano.
Voos domésticos: em geral, 2025 teve voos mais caros que 2026, mas a baixa temporada deste ano tem se mostrado mais cara (Kayak/Divulgação)
Entre os motivos que podem explicar esse comportamento do mercado, a alta nos preços do querosene pode ser um deles.
Alta no preço do querosene
Com o aumento de 55% no preço do querosene de aviação (QAV) pela Petrobras, o combustível saltou da casa dos R$ 3 mil para R$ 5 mil – e deve afetar os valores de passagens aéreas, explicam especialistas. Tal movimento é resultado da alta do petróleo devido à guerra entre Irã, Israel e EUA. O barril do tipo Brent, por exemplo, ultrapassou recentemente a marca dos US$ 115.
A informação já havia circulado no mercado pelo Grupo Abra, holding que controla a Gol e a Avianca. Segundo o diretor financeiro da empresa, Manuel Irarrazaval, a cada elevação de US$ 1 por galão no preço do QAV, as passagens poderiam subir cerca de 10%.
“É uma relação direta. Depois de folha de pagamento, combustível é o principal custo. Isso vai com certeza afetar as passagens. Eu imagino que nas próximas horas a gente já veja as companhias aéreas anunciando aumentos, e eles possivelmente vão ser imediatos. É o repasse de custos”, enfatizou Bruno Corano, CEO da Corano Capital.
De acordo com Corano, os trechos que tendem a sofrer mais são justamente os que têm menor concorrência. “Se eu sou o único que voa numa rota da cidade A para cidade B, isso me permite, pela ausência da concorrência, puxar os preços mais para cima.”
Mas, mesmo em rotas que têm concorrência, também é preciso analisar a demanda. “Congonhas-Santos Dumont tem muita concorrência, mas também tem muita demanda. Então, rotas que têm muita demanda ou pouca concorrência são certamente as que vão sofrer mais.”
Entretanto, Irarrazaval afirmou que esse aumento será “moderado” quando comparado à alta das cotações internacionais do combustível. Mas já há movimentos no mercado.
A Azul informou recentemente que elevou o preço médio das passagens em mais de 20% ao longo das últimas três semanas de março e anunciou que pretende adotar estratégias para lidar com a pressão de custos. Entre as ações previstas está a redução de aproximadamente 1% na oferta de voos domésticos no segundo trimestre de 2026.
Em nota oficial, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear). disse:
A Abear alerta para os impactos do reajuste de 54,6% no preço do Querosene de Aviação (QAV). Somado ao aumento de 9,4% em vigor desde 1º de março, o combustível passa a responder por 45% dos custos operacionais das companhias aéreas. A medida tem consequências severas sobre a abertura de novas rotas e a oferta de serviços, restringindo a conectividade do país e a democratização do transporte aéreo.
Embora mais de 80% do QAV consumido no Brasil seja produzido internamente, sua precificação acompanha a paridade internacional, o que intensifica os efeitos das oscilações do preço do barril de petróleo sobre o mercado doméstico, ampliando os impactos de choques externos sobre os custos das companhias aéreas.
Nesse sentido, a Abear tem defendido a implementação de mecanismos que permitam diminuir os impactos do aumento do QAV, garantindo o desenvolvimento do transporte aéreo, a conectividade nacional e a sustentabilidade econômica das operações.
Voos internacionais estavam mais baratos em 2026, mas não mais
A alta nos preços de voos a partir do início de março também ocorreu para destinos internacionais. No entanto, a alta temporada para destinos fora do Brasil é diferente, sendo os preços de voos menores no início do ano e crescendo durante o segundo semestre.
O que chama atenção nos dados comparativos de 2025 e 2026 é a baixa nos preços dos voos durante boa parte de janeiro e no mês de fevereiro. Apesar disso, os preços têm subido desde o início de março e, por vezes, ultrapassaram os patamares de 2025.
2025 vs. 2026: em boa parte das semanas do ano, voos internacionais estavam mais caras em 2025 (Kayak/Divulgação)
Como o Kayak levantou esses dados?
Os números são baseados em dados de busca do próprio Kayak e podem ser acessados no Painel de preços de voo. A ferramenta oferece uma visão semanal de como os preços das passagens aéreas estão mudando ao longo do tempo.
Com análises semanais e anuais para destinos nacionais e internacionais, a ferramenta mostra como fatores como sazonalidade, custos de combustível e tendências macroeconômicas mais amplas estão influenciando as tarifas aéreas.
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