Warsh na presidência do Fed: o que ele realmente pensa sobre os juros
A pergunta que os mercados globais fazem desde que Donald Trump anunciou o nome de Kevin Warsh, em janeiro, é simples: ele vai cortar juros? A resposta, por outro lado, é complicada. Warsh chega ao Fed com convicções bem articuladas, mas enfrentará um ambiente econômico que pode forçá-lo a agir de forma oposta ao que Trump esperava quando o escolheu.
O que Warsh pensa sobre juros
Em meses recentes, Warsh sinalizou apoio a cortes de juros, sugerindo que a inteligência artificial poderia ajudar a conter preços ao acelerar a produtividade. Uma "virada dovish" (de alívio monetário) em relação às suas antigas posições hawkish (de austeridade) durante sua passagem como governador do Fed entre 2006 e 2011. Em entrevista em julho do ano passado, Warsh afirmou que a recusa do Fed em cortar juros havia sido um "erro grave" e expressou apoio público à pressão de Trump sobre o banco central.
Porém, durante a audiência de confirmação no Senado, em abril, buscou deixar claro que sua relação com Trump não implica compromisso com cortes: "Presidentes tendem a ser a favor de cortar juros. O presidente Trump o expressa de forma bem pública."
A inflação não coopera
Os dados do CPI (inflação ao consumidor americano) de abril mostraram o índice saltando para 3,8% em base anual, a leitura mais alta desde maio de 2023. O desempenho foi puxado sobretudo pelos preços de energia, que subiram 28,4% em 12 meses por causa das restrições no Estreito de Ormuz.
A ferramenta CME FedWatch não projeta praticamente nenhuma chance de corte de juros em 2026 e passou a precificar probabilidade mais elevada de uma alta.
Hawk no balanço, dove nos juros
Analistas descrevem a postura de Kevin Warsh como uma combinação paradoxal: visão dovish sobre taxas de juros ao lado de uma abordagem hawkish sobre o balanço patrimonial do Fed, o que poderia drenar liquidez de um sistema financeiro altamente alavancado.
Além dos juros, Warsh quer mudar a forma como o Fed opera e se comunica. "O que o Fed precisa são reformas em seus frameworks e reformas em sua comunicação", disse durante a audiência. "Muitos dirigentes do Fed opinam sobre onde os juros deveriam estar... isso é bastante prejudicial."
O poder real do presidente do Fed
Há um elemento estrutural que limita o que Warsh pode fazer sozinho. "O presidente tem o poder de persuadir", disse à CBS News Randall Kroszner, que atuou ao lado de Warsh como governador do Fed e hoje é professor da Universidade de Chicago. Analistas do Bank of America previram que o Fed adiará qualquer corte até o segundo semestre de 2027, citando o aumento da inflação e a robustez do mercado de trabalho.
O dilema central do novo mandato foi resumido pelo senador republicano John Kennedy na audiência de confirmação com a pergunta mais direta do processo: "Você vai ser o fantoche humano do presidente?" Warsh respondeu com firmeza: "Acredito que tentamos manter a política fora do Fed." Nos próximos meses, os mercados vão confirmar a veracidade dessa resposta.
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