Xi quer convencer Trump a adotar visão ganha-ganha e evitar armadilha de Tucídides

Por Rafael Balago 14 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Xi quer convencer Trump a adotar visão ganha-ganha e evitar armadilha de Tucídides

O presidente da China, Xi Jinping, tem enfatizado uma mensagem durante a visita do presidente americano, Donald Trump, a Pequim: a de que é preciso cooperar em vez de competir, e que um lado não precisa perder para o outro ganhar.

"Devemos fazer isso funcionar, e nunca estragar as coisas", disse Xi, em um banquete de Estado oferecido a Trump, nesta quinta, 14. "Nossos dois países devem ser aliados em vez de rivais."

Trump respondeu na mesma linha, de forma amistosa. "É uma hora ser seu amigo. Vamos ter um futuro fantástico juntos", afirmou.

Os resultados práticos das conversas, no entanto, ainda não foram divulgados. Trump ainda terá mais um dia de agendas na China, que inclui uma cerimônia do chá e um almoço bilateral nesta sexta-feira, 15 (noite de quinta no Brasil), antes de voltar aos EUA.

Se a busca pela cooperação falhar, alertou Xi, os dois países poderão cair na Armadilha de Tucídides, um conceito baseado na história da Grécia antiga. No século 5 A.C, Atenas e Esparta entraram em guerra, porque Esparta ficou com medo ao ver o crescimento de Atenas, o que gerou uma escalada de tensões que levou a um conflito, que trouxe perdas aos dois lados.

Tucídides foi um historiador da época, que escreveu sobre a guerra entre Atenas e Esparta. O uso deste conceito para definir a relação entre EUA e China é usado há alguns anos, e ganhou força conforme as investidas de Trump contra a China, adotadas desde o seu primeiro mandato.

“China e Estados Unidos conseguem superar a armadilha de Tucídides e criar um novo modelo de relações entre grandes potências? Podemos enfrentar juntos os desafios globais e oferecer mais estabilidade ao mundo?”,  disse Xi, em um discurso.

Desde seu primeiro mandato, Trump buscou confrontar a China e dizer que o país cresceu às custas de prejuízos para os americanos. No ano passado, ele impôs tarifas duras aos chineses, que chegaram a superar 100%, mas teve de recuar após a China impor restrições a minerais críticos e outros produtos.

Ganhos táticos

Os resultados do encontro desta semana, obviamente, sinalizarão em que direção as coisas estão indo. Analistas não esperam grandes conquistas, mas ganhos táticos.

"Xi provavelmente buscará concessões em exportações de alta tecnologia, Taiwan e tarifas. Trump buscará grandes compras chinesas de produtos americanos, mais acesso à terras raras da China e progressos na cooperação para controle de fentanil", diz Melanie Hart, diretora do hub de China no think tank Atlantic Council, em artigo.

No entanto, apesar do tom amistoso, os dois lados não parecem ter desistido da disputa pelo posto de maior potência global. Para a China, este jogo poderá levar décadas. Ao mesmo tempo, os EUA esperam que, ao obter concessões pontuais, terão mais tempo para recuperar sua capacidade industrial e depender menos dos asiáticos.

"Xi acredita firmemente que o avanço da China é uma certeza histórica e que os EUA continuarão seu declínio", escreveu Kurt Campbell, ex-coordenador para o Pacífico no governo de Joe Biden, em artigo na revista Foreign Affairs. Embora Xi tenha dito que a China pode ajudar a 'fazer a América grande de novo', ele parece ter como plano tornar seu país ainda maior.

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