A conversa entre Petro e Trump em cinco pontos
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, se reuniu nesta terça-feira, 3, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, em Washington, em um encontro de duas horas voltado à recomposição da relação bilateral após um ano de tensões públicas entre os dois governos.
Ao final da reunião, Petro detalhou os principais temas discutidos, que incluíram narcotráfico, sanções, cooperação militar e propostas de integração econômica regional.
Narcotráfico e lista de chefões fora da Colômbia
Petro afirmou que entregou a Trump uma lista com nomes de grandes chefões do narcotráfico que vivem fora do território colombiano. Segundo o presidente, os principais líderes das organizações criminosas não estão na Colômbia, mas em cidades como Dubai, Madri e Miami.
Para o colombiano, o foco da política antidrogas deve ser a perseguição aos grandes articuladores do tráfico internacional, e não a repressão tradicional aos cultivos, que, segundo ele, afeta diretamente trabalhadores rurais.
Petro defendeu sua estratégia de substituição de cultivos de coca associada ao combate às lideranças do narcotráfico.
Críticas aos dados da ONU e pedido de verificação independente
Durante a conversa, Petro criticou os dados do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC) sobre áreas de cultivo de coca e produção de cocaína, utilizados pela Casa Branca para acusar a Colômbia de falta de cooperação no combate às drogas.
O presidente colombiano afirmou que os números da UNODC são imprecisos há mais de uma década e disse ter solicitado a Trump a realização de uma verificação científica independente.
Petro não informou se os Estados Unidos pediram métricas concretas sobre a erradicação de cultivos.
Sanções e a posição dos Estados Unidos
Questionado sobre a retirada da Colômbia, em setembro do ano passado, da lista dos Estados Unidos de países que cooperam na luta contra as drogas, Petro afirmou que Trump não é favorável ao uso de sanções.
Segundo o colombiano, o presidente americano disse não acreditar em sanções como instrumento racional de política externa. Petro disse concordar com essa visão e declarou que, para ambos, o caminho não é o das punições, mas o da liberdade.
Proposta de cooperação militar na fronteira com a Venezuela
Petro relatou que propôs a Trump uma operação conjunta entre os Exércitos da Colômbia e da Venezuela para combater narcotraficantes que atuam nas regiões de fronteira.
ideia, segundo ele, é enfrentar grupos armados que mantêm vínculos com o tráfico de drogas.
O presidente mencionou especificamente a perseguição a líderes da guerrilha Exército de Libertação Nacional (ELN) que estariam em território venezuelano, além de outros criminosos.
A proposta acontece durante o reforço na segurança na fronteira de 2.219 quilômetros entre os dois países, especialmente na região de Catatumbo, onde atuam o ELN e a Frente 33 das dissidências das Farc, em disputa pelo controle territorial.
Venezuela, sanções e proposta de reativação econômica
Outro tema tratado foi a situação da Venezuela após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, em 3 de janeiro. Petro disse que Trump perguntou sua opinião sobre a operação e se ele havia se assustado com a ação.
O colombiano afirmou que está acostumado com cenários de guerra e relatou que não houve aprofundamento no tema.
Nesse contexto, Petro apresentou a Trump a proposta de que a petrolífera estatal colombiana Ecopetrol participe da reativação econômica do oeste da Venezuela. Segundo ele, o governo dos Estados Unidos viu a possibilidade imediata de revogar sanções nessa região e abrir espaço para a atuação da empresa colombiana.
O plano inclui o uso de energia elétrica limpa produzida na Colômbia, a reativação de gasodutos, oleodutos e conexões elétricas já existentes e o estímulo a setores como gás, petróleo e fertilizantes, em parceria com empresas venezuelanas, como a petroquímica Monómeros.
A iniciativa, segundo Petro, seria restrita ao oeste venezuelano e a áreas fronteiriças, como parte de uma estratégia de desenvolvimento econômico binacional.
Ao final do encontro, tanto Trump quanto Petro manifestaram satisfação com o resultado da reunião. Esta foi a primeira conversa presencial entre os dois presidentes, em um momento em que Petro se aproxima do fim de seu mandato, com o primeiro turno das eleições presidenciais colombianas marcado para 31 de maio.
*Com informações da EFE
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