Aéreas cortaram mais de 2 milhões de passagens após alta do combustível
O bloqueio efetivo do Estreito de Ormuz, rota marítima pela qual cerca de 20% do petróleo mundial é transportado, provocou ondas de choque globais. Da gasolina a fertilizantes e demais produtos petroquímicos, como precursores de plásticos e tintas, tiveram seus preços e sua disponibilidade diretamente afetados pelo conflito no Irã, o que abalou cadeias de suprimento e redes energéticas de países ao redor do mundo.
O querosene de aviação, utilizado como combustível para aeronaves, não é exceção. Com um avanço de uma média de US$ 85-90 antes da crise a uma média de US$ 150 a 200 por barril com Ormuz fechado, as companhias aéreas por todo o mundo se preparam para um período de incertezas, cortes de custos e redução de atividades, já que apenas o combustível representa até um quarto de todos os gastos da indústria, apura a CNN.
Apenas na última semana, companhias aéreas em todo o mundo cortaram até 2 milhões de assentos de suas grades de voos deste mês, cancelaram milhares de voos e, quando possível, adotaram aeronaves menores e de menor consumo, segundo dados do Financial Times, enquanto as preocupações não param de aumentar. Por exemplo, O fechamento de aeroportos em países do Golfo Pérsico, no epicentro do conflito, priva o mundo de uma das principais zonas de paradas intermediárias para conexões de voos longos, como é o caso de Dubai.
Acompanhe as medidas sendo tomadas por algumas das principais companhias aéreas do mundo em decorrência da crise de Ormuz e dos choques que o conflito causou no setor da aviação comercial. Veja a seguir os efeitos em algumas empresas, segundo apuração da agência Reuters.
Air France-KLM e Lufthansa
Holding que une duas das principais companhias aéreas da Europa, a francesa Air France e a holandesa KLM, já confirmou um aumento esperado de até US$ 2,4 bilhões em gastos com combustível esse ano, estimando um aumento na capacidade de 2 a 4%, o que representa uma queda em relação à previsão original de 3 a 5%. Além disso, o aumento das passagens de longa distância para compensar o preço dos combustíveis também é uma medida já planejada, com tarifas que podem aumentar em até 50 euros (R$ 288).
Outra gigante europeia, a alemã Lufthansa, tem uma abordagem diferente: uma nova opção de passagem econômica, chamada "Economy Basic", para voos de curta e média distância, que limita a bagagem de mão a mochilas pequenas ou bolsas. Mesmo assim, a empresa anunciou que 20 mil voos de curta distância seriam retirados da sua programação prevista até outubro, o que economizará até 40 mil toneladas de combustível.
American Airlines, Delta Airlines e United Airlines
As gigantes americanas reduziram consideravelmente suas projeções de receita para este ano.
A American Airlines prevê um aumento de mais de US$ 4 bilhões nos gastos com combustível. Para mitigar os danos, aumentou as taxas de bagagem despachada em 10 dólares para a primeira e a segunda mala e em 150 dólares (cerca de 740 reais) para a terceira, em voos domésticos e internacionais de curta distância, além de reduzir certos benefícios da classe econômica.
Por sua vez, a Delta Airlines informou que reduzirá sua capacidade operacional em 3,5 pontos percentuais em relação à projeção original para o ano e também aumentará as taxas para bagagens despachadas, a valores iguais aos da American para a primeira e a segunda, mas cobrando US$ 50 (cerca de 246 reais) pela terceira. Além disso, a empresa cancelou todo o crescimento projetado para o trimestre anual, prevendo lucros bem abaixo das expectativas.
Por fim, a United já anunciou que o preço de passagens pode ter que subir de 15 a 20% para mitigar danos dos custos de combustível, e já implementou um total de cinco aumentos de tarifas no final do primeiro trimestre, além de taxas de bagagem mais altas, pelo mesmo motivo.
ANA (Japão) e Korean Air
A ANA anunciou que seus custos aumentarão em cerca de 140 bilhões de ienes (4,3 bilhões de reais) devido aos choques no combustível, e afirma também que está considerando implementar uma taxa adicional de combustível em voos domésticos no ano fiscal de abril de 2027.
Por sua vez, a empresa sul-coreana Korean Air está em gestão de emergência desde abril, tentando ao máximo mitigar os danos com uma miríade de novas medidas, aponta a Reuters, que conversou com pessoas familiarizadas com o assunto. Para os consumidores, isso pode se traduzir em passagens e bagagens mais caras e em preços que flutuam drasticamente entre voos de curta, média e longa distância.
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