Alckmin diz que parceria econômica entre Brasil e Rússia ainda pode crescer
O vice-presidente Geraldo Alckmin defendeu nesta quinta-feira, 5, o fortalecimento da parceria estratégica entre Brasil e Rússia e afirmou que o comércio bilateral ainda está abaixo do potencial das duas economias. A declaração foi feita na abertura de uma reunião de alto nível com autoridades russas, no Itamaraty, em Brasília.
"Parcerias sólidas não dependem apenas da conjuntura, mas de interesses estruturais bem compreendidos", afirmou Alckmin, sem mencionar temas sensíveis como a guerra entre Rússia e Ucrânia.
Segundo o vice-presidente, Brasil e Rússia são economias de grande escala, com ampla base produtiva, recursos naturais estratégicos, capacidade tecnológica e mercados internos relevantes, combinação que, segundo ele, cria espaço para ampliar e diversificar a cooperação econômica e comercial.
A delegação russa é chefiada pelo primeiro-ministro Mikhail Mishustin, enviado do presidente Vladimir Putin, que não viaja ao exterior em razão de mandado de prisão expedido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI).
Também ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Alckmin afirmou que, apesar de relevante, o comércio bilateral ainda não reflete as capacidades produtivas e tecnológicas dos dois países. Ele citou como áreas prioritárias da agenda bilateral a cooperação internacional, o fortalecimento do agronegócio, energia, ciência, tecnologia e inovação, infraestrutura, logística e desenvolvimento sustentável.
"Em todas essas áreas, buscamos promover integração produtiva, parcerias empresariais e cooperação tecnológica", disse.
Em 2025, o comércio entre Brasil e Rússia somou cerca de US$ 10,9 bilhões. As exportações brasileiras alcançaram US$ 1,5 bilhão, com destaque para carne bovina, café não torrado e soja. Já as importações vindas da Rússia totalizaram US$ 9,4 bilhões, concentradas principalmente em óleos combustíveis e fertilizantes químicos.
Alckmin destacou que o governo brasileiro aposta em uma estratégia de neoindustrialização baseada em inovação, sustentabilidade e inclusão, e afirmou ver com “grande interesse” a ampliação de investimentos russos no Brasil, especialmente nos setores químico, de fertilizantes, energia, equipamentos industriais e infraestrutura.
Segundo ele, também há espaço para ampliar a presença de empresas brasileiras no mercado russo, em áreas como alimentos processados, máquinas, equipamentos, tecnologia agrícola e soluções industriais, o que exigiria o fortalecimento dos canais institucionais, a redução de entraves logísticos e o aprofundamento do diálogo técnico entre os dois países.
*Com informações do Globo
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