Antidepressivos na gestação não têm relação com autismo, diz pesquisa

Por Maria Luiza Pereira 24 de Maio de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Antidepressivos na gestação não têm relação com autismo, diz pesquisa

Uma das maiores análises já feitas sobre o uso de antidepressivos durante a gravidez concluiu que os medicamentos não aumentam o risco de autismo ou TDAH em crianças. O estudo foi conduzido por pesquisadores da Universidade de Hong Kong e publicado na revista científica The Lancet Psychiatry.

Por que os números iniciais enganavam?

Os cientistas revisaram dados de 37 estudos anteriores, envolvendo cerca de 600 mil gestantes que utilizaram antidepressivos e aproximadamente 25 milhões de mulheres que não fizeram uso dos medicamentos durante a gravidez. Inicialmente, os números apontavam um aumento de 35% no risco de TDAH e de 69% no risco de autismo.

Mas a conclusão mudou quando os pesquisadores passaram a considerar fatores como histórico familiar, predisposição genética e condições psiquiátricas prévias das mães. Após esses ajustes, a associação deixou de ser estatisticamente significativa. Em outras palavras, os antidepressivos não apareceram como responsáveis diretos pelo aumento dos diagnósticos.

O principal autor do estudo, o professor Wing-Chung Chang, afirmou que os resultados ajudam a reduzir o medo em torno do tema. “Nosso estudo fornece evidências tranquilizadoras”, declarou o pesquisador ao comentar que antidepressivos comuns não aumentam o risco de transtornos do neurodesenvolvimento em crianças.

O alerta sobre interromper o tratamento

Chang também alertou para os perigos de interromper o tratamento sem acompanhamento médico. Segundo ele, deixar de tratar depressão moderada ou severa durante a gestação pode elevar o risco de recaídas e prejudicar tanto a mãe quanto o bebê.

Outro ponto que chamou atenção dos pesquisadores foi o fato de riscos semelhantes terem aparecido em filhos de pais que usavam antidepressivos e em mulheres que tomaram os medicamentos antes da gravidez, mas não durante a gestação. Para os autores, isso reforça a hipótese de que fatores genéticos e familiares expliquem a associação observada nos estudos anteriores.

Os pesquisadores destacaram ainda que mulheres com quadros leves de depressão podem considerar terapias não medicamentosas, como psicoterapia, quando indicado. Já em casos moderados ou graves, a interrupção abrupta do tratamento pode representar um risco maior do que o próprio uso do medicamento.

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