Blue Origin pede aval para lançar 50 mil satélites e transformar órbita em centro de dados

Por André Lopes 22 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Blue Origin pede aval para lançar 50 mil satélites e transformar órbita em centro de dados

A Blue Origin, empresa espacial fundada por Jeff Bezos, pediu autorização ao governo dos Estados Unidos para lançar uma rede com mais de 50 mil satélites que funcionaria como um centro de dados em órbita. A proposta aparece em um documento apresentado em 19 de março à FCC, sigla em inglês para a Comissão Federal de Comunicações, órgão regulador do setor no país.

No pedido, os advogados da companhia descrevem o Project Sunrise como uma constelação de espaçonaves capaz de executar computação avançada no espaço para, segundo a empresa, reduzir a pressão crescente sobre comunidades e recursos naturais nos EUA. A tese da Blue Origin é que a migração de operações intensivas em energia e água para fora da Terra pode aliviar a demanda hoje concentrada em data centers terrestres.

O documento, porém, traz poucos detalhes sobre a escala real da infraestrutura ou sobre a capacidade computacional pretendida. A empresa afirma apenas que pretende usar outra constelação que tenta aprovar, chamada TeraWave, como base de comunicações de alta capacidade para esses satélites dedicados ao processamento.

Levar computação em massa para a órbita tem apelo entre empresas do setor porque a energia solar pode ser captada continuamente no espaço e porque há menos restrições regulatórias para operações corporativas fora da Terra.

Nesse cenário, empresários e investidores projetam um futuro em que ferramentas de IA, sigla para inteligência artificial, se tornem mais disseminadas e parte relevante do trabalho de inferência seja transferida para o ambiente orbital.

A Blue Origin não está sozinha nessa corrida. A SpaceX já pediu autorização para lançar até 1 milhão de satélites voltados a um centro de dados distribuído, enquanto a startup Starcloud propôs à FCC uma rede de 60 mil espaçonaves.

O Google também desenvolve um conceito semelhante, batizado de Project Suncatcher, com previsão de testes por meio de dois satélites de demonstração lançados pela parceira Planet Labs no próximo ano.

Apesar do entusiasmo no setor de tecnologia, a viabilidade econômica ainda é a principal incógnita desses projetos. Sistemas de resfriamento para processadores, comunicação entre satélites por laser de alta potência e a resistência de chips avançados à radiação espacial ainda dependem de soluções técnicas que sejam escaláveis e baratas.

Foguetes, lixo espacial e custo ainda desafiam plano

Um ponto central é o preço para colocar essa infraestrutura em órbita. Hoje, boa parte das apostas do setor depende da queda nos custos de lançamento com o Starship, megafoguete da SpaceX ainda em desenvolvimento. A expectativa é que a redução do preço por missão seja decisiva para tornar esse tipo de centro de dados minimamente competitivo.

Nesse aspecto, a Blue Origin tenta se posicionar com uma vantagem própria. Seu foguete New Glenn, que voou pela primeira vez no ano passado, está entre os veículos de lançamento mais potentes em operação. Se a empresa conseguir aumentar o ritmo de voos e reutilização, poderá buscar os ganhos de integração vertical que ajudaram a SpaceX a consolidar a rede Starlink em telecomunicações espaciais.

Ainda assim, os obstáculos vão além da conta financeira. As órbitas mais próximas da Terra estão cada vez mais congestionadas, e a entrada de dezenas de milhares de novos satélites amplia o risco de colisões.

Também cresce a preocupação científica com os efeitos atmosféricos da queima de satélites obsoletos, procedimento hoje comum na indústria e apontado por pesquisadores como um possível fator de impacto sobre a camada de ozônio.

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