Cabelo, pele e unhas: o que a ciência diz sobre como cuidar deles

Por Marina Semensato 18 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Cabelo, pele e unhas: o que a ciência diz sobre como cuidar deles

Cabelos, pele e unhas costumam ser associados, à primeira vista, à estética. Mas, biologicamente, eles fazem parte do sistema tegumentar, responsável por proteger o organismo e ajudar a regular diversas funções do corpo.

Segundo Elizabeth Rimmer, fundadora e diretora da London Professional Aesthetics, essas estruturas compartilham uma base comum: os queratinócitos, "que crescem a partir de células-tronco e produzem e armazenam queratina — uma proteína que as torna mais resistentes e impermeáveis", explica à Healthline.

Como essas células se renovam constantemente e dependem de nutrientes que chegam pela corrente sanguínea, mudanças no organismo podem aparecer primeiro nesses tecidos, como deficiências nutricionais, alterações hormonais, estresse ou falta de sono, por exemplo.

Por isso, o sistema tegumentar funciona como uma espécie de "espelho" da saúde. Além de ser a primeira linha de defesa do corpo contra o ambiente externo, ele também está entre os primeiros a indicar quando algo no organismo pode não estar em equilíbrio. Logo, nossos hábitos são tão importantes quanto os produtos que usamos para mantê-los bonitos e saudáveis.

Como a alimentação faz diferença?

Muitos estudos sugerem que deficiências nutricionais afetam diretamente o sistema tegumentar. Uma revisão científica publicada em 2019 encontrou ligação entre a falta de micronutrientes e diversas alterações cutâneas, incluindo acne, eczema, psoríase e outras doenças de pele.

Entre os nutrientes associados a essas alterações estão vitaminas do complexo B, vitaminas lipossolúveis como A, E e K, além de minerais como zinco, ferro, cobre e selênio. Ácidos graxos essenciais também entram nessa lista.

Outra pesquisa, publicada em 2017, concluiu que diferentes tipos de deficiência nutricional podem contribuir para a queda de cabelo. Segundo Amir Sadri, médico e cirurgião plástico consultor do Great Ormond Street Hospital, isso acontece porque pele e cabelo estão diretamente ligados à circulação sanguínea.

"As camadas da pele estão conectadas a uma enorme rede vascular, e nossos folículos capilares também são alimentados por um suprimento sanguíneo que precisa ser rico em nutrientes", afirma.

Uma alimentação equilibrada pode ajudar a sustentar a saúde desses tecidos. A recomendação é manter o prato o mais colorido e diverso possível, para garantir a ingestão de mais nutrientes, sem se esquecer das proteínas, que auxiliam na formação de novas células no organismo.

O ferro é outro nutriente muito citado, já que participa de vários processos metabólicos. Para pessoas vegetarianas ou veganas, leguminosas como feijão e lentilha podem ajudar a atingir a ingestão diária recomendada.

Se manter uma dieta saudável e colorida é a principal orientação, evitar alimentos e bebidas prejudiciais à saúde fica no mesmo patamar. "O consumo excessivo de álcool pode causar ressecamento, fragilidade e quebra dos cabelos, além de favorecer a queda capilar", afirma Savas Altan, especialista em estética médica da Clínica Vera, à Healthline.

Altan adiciona que dietas muito ricas em açúcar e ultraprocessados podem estimular a degradação do colágeno e da elastina, proteínas que ajudam a manter a firmeza e elasticidade cutânea.

A qualidade do sono também está diretamente relacionada à saúde da pele e dos cabelos. Enquanto dormimos, o organismo entra em processos de recuperação e regeneração. Segundo Rimmer, a produção de colágeno aumenta durante a noite e atinge seu pico nas primeiras horas de descanso.

Um estudo de caso-controle publicado em 2023, com 157 participantes — sendo 81 pacientes com acne e 76 pessoas sem a condição — indicou que indivíduos com acne apresentavam mais frequentemente sono de pior qualidade, além de maiores índices de ansiedade e depressão.

A relação é direta. Dormir pouco aumenta os níveis de cortisol, conhecido como o hormônio do estresse, o que interfere nos processos de recuperação do corpo. Esse desequilíbrio pode se refletir na parte de fora, com sinais como inflamações na pele, unhas mais frágeis e queda capilar.

Em geral, a recomendação é que adultos durmam pelo menos sete horas por noite, embora a necessidade de descanso possa variar conforme cada pessoa.

Cuidados "externos"

Além dos hábitos de vida, alguns cuidados externos com cosméticos e procedimentos podem contribuir para manter cabelo, pele e unhas em boas condições.

Nos cuidados capilares, Rimmer recomenda shampoos com cetoconazol — usado no tratamento de infecções fúngicas — para tratar a queda, considerando estudos que sugerem que o ingrediente pode ajudar a aumentar a espessura da haste e o número de fios.

Sadri também menciona compostos como óleo de alecrim, biotina e vitaminas A, C e E como ingredientes muito presentes em produtos voltados à saúde capilar, pois ajudam a manter o couro cabeludo saudável e nutrir os folículos.

Outra recomendação para pessoas com o couro cabeludo mais sensível é evitar sulfatos em shampoos. São substâncias usadas para gerar espuma, mas que podem irritar o couro cabeludo em algumas pessoas.

No salão, existem vários tratamentos que podem suprir as necessidades específicas de um cabelo. Segundo Rimmer, procedimentos com queratina ajudam a reforçar a estrutura do fio e reduzir danos causados por calor ou frizz.

Uma rotina básica segue a principal recomendação. Rimmer sugere lavar o rosto com sabonete facial todos os dias, massageando por cerca de um minuto e enxaguando com água morna. O processo deve ser seguido de secagem suave e o uso de um hidratante compatível com o tipo de pele.

Outra orientação é usar protetor solar todos os dias. Rimmer também cita o retinol, derivado da vitamina A, como um ingrediente comum em rotinas de cuidados voltadas para melhorar textura e uniformidade da pele.

As clínicas de estética também podem ajudar nesse cuidado. Um dos tratamentos mais citados por especialistas é o microagulhamento, técnica que utiliza microagulhas para estimular a produção de colágeno e elastina.

As unhas também sofrem com fatores ambientais. Exposição constante à água, mudanças climáticas e o contato diário com produtos à base de álcool podem ressecar cutículas e deixá-las mais frágeis.

Uma das recomendações é aplicar pequenas quantidades de óleo específico nas cutículas, para evitar o ressecamento e lesões causadas pelo hábito de puxar a pele ao redor das unhas.

Dar intervalos no uso de esmaltes também pode ajudar a manter as unhas mais saudáveis. "Permitir que as unhas fiquem sem esmalte por um período pode melhorar sua condição geral", afirma Rimmer.

Quando procurar um médico?

Especialistas recomendam procurar avaliação médica caso mudanças persistentes apareçam nesses tecidos. Segundo Rimmer, problemas no sistema tegumentar podem ser sinais de doenças que exigem investigação e tratamento adequado.

Por exemplo: no caso dos fios, queda em excesso e afinamento são condições que precisam ser investigadas. Já na pele, grandes inflamações, caroços, pintas novas e feridas são motivos de avaliação. Unhas muito quebradiças e com coloração alterada também devem acender um alerta.

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