Cientistas descobrem defeito 'escondido' da bola da Copa do Mundo de 2026
A bola oficial da Copa do Mundo de 2026 já começou a ser estudada antes mesmo do torneio começar.
Batizada de Trionda, a nova bola desenvolvida pela Adidas passou por testes aerodinâmicos conduzidos por pesquisadores da Universidade de Tsukuba, no Japão, em parceria com cientistas que há duas décadas estudam a física do futebol.
O estudo foi divulgado na plataforma The Conversation. Os pesquisadores analisaram como a bola reage ao ar, à velocidade e ao giro durante partidas.
A principal conclusão é que a Trionda deve apresentar um voo mais estável do que bolas controversas do passado, especialmente a Jabulani, usada na Copa do Mundo de 2010 e constantemente criticada por goleiros e jogadores devido aos desvios imprevisíveis.
A ciência por trás da nova bola
Segundo o estudo, a Trionda possui apenas quatro gomos, o menor número já utilizado em uma Copa masculina. As peças foram termoligadas e receberam ranhuras profundas e textura especial para alterar o comportamento do fluxo de ar.
“Descobrimos que a Trionda é efetivamente mais rugosa do que suas antecessoras”, afirma John Eric Goff durante a divulgação da pesquisa.
Os testes aconteceram em túneis de vento da Universidade de Tsukuba, onde os cientistas mediram o chamado coeficiente de arrasto, indicador responsável por mostrar quanta resistência do ar a bola sofre durante o voo.
O fantasma da Jabulani
A comparação com a Jabulani virou inevitável. Em 2010, a bola da Copa da África do Sul ficou marcada pelos movimentos instáveis em chutes de longa distância, especialmente quando a bola era finalizada sem muito giro.
Segundo os pesquisadores, esse comportamento acontecia porque a bola mudava rapidamente de regime aerodinâmico durante o voo. “Esse era o problema da Jabulani”, explica Goff.
“Uma vez chutada com pouco giro, ela tinha a tendência de desacelerar demais ao passar pela faixa de velocidade crítica.”
Nos testes atuais, a Trionda demonstrou comportamento mais consistente. A expectativa é que escanteios, faltas e cruzamentos apresentem trajetórias mais previsíveis.
Menos alcance em lançamentos
Apesar da estabilidade, o estudo aponta um possível efeito colateral importante. Os pesquisadores identificaram que a nova bola pode perder alguns metros em lançamentos e chutes muito fortes.
“Em linguagem simples, isso sugere que um passe longo chutado com força pode perder um pouco de alcance”, diz o pesquisador.
Os cientistas afirmam que a diferença não deve ser gigantesca, mas pode ser suficiente para que jogadores profissionais percebam mudanças em viradas de jogo, inversões e bolas esticadas.
Tecnologia para ajudar o VAR
A Trionda também terá tecnologia embarcada para auxiliar a arbitragem. O modelo contará com um chip interno conectado ao sistema semiautomático de impedimento e ao VAR.
Diferentemente da bola usada na Copa de 2022, o sensor agora fica integrado em uma camada específica dentro de um dos gomos, enquanto os outros recebem contrapesos para equilibrar a estrutura.
O sistema vai enviar dados em tempo real sobre toques, trajetória e velocidade da bola, aumentando a precisão em decisões de impedimento e lances ajustados.
Mesmo com toda a tecnologia aplicada, os testes mostram que nenhuma bola é totalmente neutra.
Pequenas alterações na textura, nas costuras e na resistência do ar continuam sendo capazes de influenciar passes longos, cobranças de falta e defesas decisivas.
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