Como jogo centenário virou estratégia para o Duolingo atrair a geração Z
O xadrez vive um crescimento no Brasil impulsionado pela geração Z — pelo menos no Duolingo. O país já ocupa a quarta posição global em número de alunos no curso de xadrez do aplicativo. Segundo a empresa, o movimento reflete uma busca crescente por atividades que equilibram experiências online e offline e que estimulam concentração e raciocínio estratégico.
Em entrevista exclusiva à EXAME, Analigia Martins, diretora de marketing do Duolingo Brasil, explica que a demanda era represada. "Desde o lançamento do curso em inglês, notamos que os brasileiros pediam e ansiavam pela chegada do curso de xadrez para falantes de português", diz. No Duolingo, atualmente, um a cada dez usuários ativos estudam xadrez.
O curso é hoje o de crescimento mais rápido da plataforma globalmente, e alcançou milhões de alunos em pouco tempo. Os alunos de xadrez também passam em média mais tempo fazendo lições no Duolingo do que os alunos de idiomas.
Método de ensino
O curso do Duolingo tem mecanismos didáticos que reduzem as barreiras de entrada para um jogo historicamente visto como complexo.
“Acreditamos que isso [o sucesso no Brasil] se deve ao fato de o curso de xadrez do Duolingo ser voltado principalmente para iniciantes, ao contrário do que já existia no mercado, e usar quebra-cabeças e lições curtas para ensinar", afirma Martins. "Isso faz com que algo que geralmente era visto como complexo e difícil, ao ser inserido no universo do Duolingo, já conhecido pelos alunos do Brasil por trazer aprendizado de forma leve, divertida e acessível, reduziu as barreiras de entrada para o jogo.”
Os jogadores podem fazer várias lições consecutivas em vez de participar de longas partidas, o que, segundo o Duolingo, permite acompanhar a evolução em tempo real e mantém a motivação alta.
Sucesso entre a geração Z
A geração Z (nascidos entre 1997 e 2012) representa 32% dos alunos de xadrez no Brasil.
"Nós interpretamos esse movimento como uma busca por mais intencionalidade no uso do tempo e da tecnologia, especialmente entre os jovens da geração Z", afirma a executiva. "Em vez de simplesmente abandonar o digital, esse público está procurando experiências online que tenham propósito claro, estimulem a concentração e tragam benefícios que se estendem para além da tela."
Analigia Martins destaca que há um movimento de interesse crescente por atividades que estimulam o raciocínio, a concentração e o pensamento estratégico, especialmente entre públicos mais jovens.
"Como o xadrez conversa muito bem com esse momento em que as pessoas buscam aprender algo novo, de forma prática, no seu próprio ritmo e pelo celular, e o Duolingo já está presente na vida de muitos alunos brasileiros, esse foi um caminho natural para o crescimento expressivo do curso no país."
Embora o aprendizado comece no ambiente digital, o xadrez se expande para clubes, torneios e encontros presenciais. A lógica é similar aos cursos de idiomas do Duolingo: muitas pessoas começam a aprender no aplicativo e depois buscam conversas presenciais, intercâmbios e viagens.
"O papel do Duolingo é reduzir a barreira inicial do aprendizado como um todo, tornando-o acessível, leve e motivador, para que as pessoas se sintam confiantes a ponto de levar o conhecimento que adquiriram na plataforma para o mundo real", diz a diretora de marketing.
Nova funcionalidade para Android
A partir desta quinta-feira, 12, o Duolingo expande para aparelhos Android a funcionalidade Player vs Player, que já estava disponível para IOS e permite partidas entre usuários. "O Brasil é o país mais social no Duolingo, com os alunos brasileiros sendo os que mais interagem com outros usuários e adicionam novos amigos na plataforma. Isso faz com que a funcionalidade Player vs Player tenha atingido grande sucesso por aqui", afirma Analigia Martins.
A expectativa é de aumento no engajamento e na retenção de alunos. "Quando o aprendizado deixa de ser apenas individual e passa a envolver troca e progressão compartilhada, a motivação para continuar estudando aumenta significativamente", diz.
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