Copa do Mundo será nossa segunda Black Friday, diz CFO da Casas Bahia

Por Clara Assunção 12 de Março de 2026 👁️ 0 visualizações 💬 0 comentários
Copa do Mundo será nossa segunda Black Friday, diz CFO da Casas Bahia

Apesar de ainda registrar prejuízo em 2025, o Grupo Casas Bahia vê sinais de virada operacional e aposta em um 2026 mais favorável para acelerar a recuperação do negócio. Entre os motores esperados para o próximo ano está a Copa do Mundo, que costuma estimular a troca e televisores.

Para o diretor financeiro da companhia, Elcio Ito, o evento tem potencial para funcionar como uma grande alavanca de vendas no segmento. "Temos a Copa do Mundo e nós somos líderes em televisores, em telas no Brasil. É como se tivéssemos uma outra Black Friday de telas aqui", afirmou.

As datas sazonais vêm ganhando peso relevante no desempenho da gigante varejista. No quarto trimestre de 2025, de acordo com balanço divulgado nesta quarta-feira, 10, após o fechamento do mercado, a companhia registrou GMV (volume bruto de mercadorias) recorde de R$ 13,1 bilhões.

E, segundo o diretor financeiro, o resultado histórico foi impulsionado pela Black Friday e Natal, concentradas nos últimos dois meses do ano. "Foi uma execução muito positiva e eficiente", disse.

Em novembro, A Casas Bahia apostou na "maior Black Friday" de sua história com R$ 1,2 bilhão em crédito para o cliente, tendo como estímulo principal o crediário, o que representou um aumento de 20% em relação ao ano passado, quando o volume foi de R$ 1 bilhão.

No últimos três meses do ano passado, a carteira do crediário avançou 7%, para R$ 6,6 bilhões, na comparação anual.

Na avaliação de Ito, a empresa conseguiu ampliar participação de mercado ao mesmo tempo em que preservou níveis adequados de rentabilidade.

Para 2026, a companhia também vê um cenário macroeconômico potencialmente mais favorável ao consumo. Entre os fatores citados pelo CFO estão uma possível queda da taxa de juros, que tende a reduzir despesas financeiras e estimular a demanda, além da isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, que entrou em vigência em janeiro.

"A medida pode representar uma renda adicional para o público-alvo da varejista, o que pode se traduzir em maior consumo ou até em melhora no nível de endividamento das famílias", afirmou.

Mesmo as eleições gerais, em outubro deste ano, podem trazer maior dinamismo para a economia, segundo o diretor financeiro.

Balanço do 4° tri marca nova fase do plano de transformação

Além das perspectivas para o varejo, Ito afirma que a empresa entra em uma nova etapa de seu plano de transformação, iniciado em agosto de 2023, poucos meses após a chegada do CEO Renato Franklin.

Segundo o CFO, a companhia concluiu a principal etapa relacionada à reorganização do balanço e da estrutura de capital, o que abre espaço para um foco maior em eficiência operacional.

Um dos principais marcos desse processo foi a redução de 75% da dívida líquida ajustada, que encerrou o trimestre em R$ 1,13 bilhão. Com isso, a alavancagem financeira caiu de 1,9 vez para 0,4 vez o Ebitda ajustado, a empresa também atingiu o 9° trimestre consecutivo de avanço nas margens.

"Entramos no ano com uma lição de casa importante feita no balanço. Isso permite que o tempo e a dedicação dos executivos sejam mais canalizados para ganhos de eficiência operacional", disse Ito.

E o mercado está convencido?

Mas o grande desafio continua sendo estabilizar o caixa e convencer o mercado de que o pior da reestruturação financeira passou. Questionado sobre se o mercado já comprou a tese de recuperação da companhia, o CFO evitou fazer avaliações em nome de investidores, mas afirmou que os resultados recentes indicam uma evolução da empresa.

"O que nós estamos entregando agora em termos de balanço, de transformação da estrutura de capital é inegável a redução de 75% da dívida", afirmou o diretor financeiro. "Temos dados e fatos, e aí o mercado toma as suas conclusões".

Apesar da redução da dívida, o Grupo Casas Bahia encerrou o quarto trimestre ainda no vermelho, mas com melhora operacional. O prejuízo líquido ajustado foi de R$ 79 milhões no período, uma redução de 82,5% em relação à perda de R$ 452 milhões registrada no mesmo trimestre de 2024.

No acumulado do ano, o prejuízo líquido ajustado somou R$ 1,538 bilhão em 2025, acima da perda de R$ 1,04 bilhão registrada no ano anterior. Apesar disso, os indicadores operacionais avançaram. O Ebitda ajustado cresceu 29,1% no quarto trimestre, para R$ 826 milhões, com margem de 9,8%.

Para Ito, a combinação de melhora operacional e redução do peso da dívida será fundamental para a companhia avançar no processo de recuperação. "A estrutura de capital deu um passo fundamental para a companhia caminhar na trajetória de reversão do prejuízo para lucro. Mas é um processo gradual, não acontece do dia para a noite", afirmou.

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